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2023. Apoio para as Famílias do Clero

Ao longo dos últimos anos, os membros do clero, quer sejam solteiros ou casados, e as suas famílias continuaram a expressar sérias preocupações quanto à tensão que sentem nas suas congregações. Esta frase, “vida no aquário”, descreve como Frank J. Stalfa, terapeuta do/a pastor/a e do pessoal, observa a vida dos membros do clero e dos seus cônjuges e familiares nas nossas congregações locais. A imagem é dolorosamente precisa sobre a situação cheia de expectativas irrealistas, limites praticamente inexistentes para privacidade e tempo pessoal, vidas interrompidas, crises em carreiras e programas educacionais, demandas indetermináveis das necessidades congregacionais e pressão para o cônjuge e os filhos dos pregadores, para serem pessoas sem necessidades pessoais ou profissionais, assim como cristãos perfeitos e “exemplares”.

A síndrome de “filhos de pregadores” é documentada em pesquisa sobre crianças e jovens pertencentes a famílias de clérigos, e menciona a pressão feita sobre os filhos de membros do clero para estabelecerem um padrão elevado para as outras crianças seguirem (o/a aluno/a perfeito/a, o filho ou a filha modelo, os jovens mais dotados), limitando potencialmente a sua individualidade e o seu desenvolvimento. O apoio, o encorajamento, e as oportunidades para os filhos de pregadores compartilharem as suas pressões e alegrias estão a ser abordados através de retiros para os filhos de pregadores organizados pelas conferências anuais, blogues (www.preacherkids.com ) e o reconhecimento crescente entre as congregações de que estas oportunidades e pessoas são fundamentais para a saúde e o bem-estar dos filhos dos pregadores.

O Inquérito aos Cônjuges e às Famílias do Clero de 2009 (2009 Clergy Spouse and Family Survey), realizado pela Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher (GCSRW), em colaboração com a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado, recebeu mais de 3100 respostas de cônjuges de membros do clero da Igreja Metodista Unida. Este inquérito confirmou muitas das respostas ao inquérito à Liderança realizado em 1992, em relação aos factores contribuintes para a tensão matrimonial entre as famílias de membros do clero: tempo insuficiente juntos, uso de dinheiro, nível de rendimento, dificuldades de comunicação, diferenças relativas a actividades de

lazer, dificuldades em criar os filhos, a ira do/a pastor/a contra o cônjuge e as diferenças em relação à carreira do ministério pastoral e à carreira do cônjuge. Um resultado significativo e preocupante do inquérito à Liderança foi que 80% dos clérigos relataram que acreditavam que seu ministério pastoral afectava negativamente as suas famílias. O Inquérito aos Cônjuges e às Famílias do Clero de 2009 revelou reflexões semelhantes dos cônjuges e também várias mudanças ocorridas entre os cônjuges de membros do clero.

Embora a maioria dos cônjuges do clero seja do sexo feminino, um número crescente destes cônjuges é do sexo masculino. Este facto questiona como o “papel” do cônjuge do membro do clero pode estar relacionado mais com o género do que com a “posição” como cônjuge de um membro do clero. Cabe destacar que entre as diferenças em como os homens casados com clérigas são tratados incluem: em vez de serem chamados cônjuge do membro do clero, são os “homens casados com um ministro pastoral”, e as expectativas depositadas nas mulheres que são cônjuges de um clérigo não são depositadas nos homens que são cônjuges de uma clériga, tais como a prestação de cuidados aos filhos, fazer parte de um grupo coral, ser professora numa escola da igreja para crianças ou estar presente nos serviços de culto. O seu desenvolvimento de uma identidade pessoal e profissional separada pode não ser a dificuldade que enfrentam muitas mulheres cônjuges, as quais lutam para manter uma carreira ou tempo passado com a família ou oportunidades educacionais. Isso sugere que as expectativas dos cônjuges de membros do clero podem não só ser tradicionais, mas também relacionadas com o género. Mais estudos poderiam orientar a Igreja sobre como ministrar efectivamente aos cônjuges de membros do clero e às congregações, enquanto as ditas funções continuam o seu processo de transição.

A identidade do papel ministerial de apoio “tradicional” entre os cônjuges do clero também está a mudar. Em gerações anteriores, o cônjuge do/a pastor/a estava geralmente disponível para fornecer liderança adicional na igreja local. No entanto, o inquérito de 2009 revelou um conjunto muito diferente de compromissos da vida, uma vez que os cônjuges de membros do clero agora estão a trabalhar a tempo inteiro (55%), a tempo parcial (17%), com apenas 12% capazes de ficar em casa pai/mãe/pessoa que trata da casa; 30% dos cônjuges de membros do clero têm diplomas universitários e 43% possuem diplomas de pós-graduação, representando ser um dos grupos mais altamente qualificados da denominação; entre os

inquiridos, 78% eram mulheres e 21,7% eram homens; 70% acreditavam que os seus filhos estão satisfeitos por ser “filhos de um/a pregador/a” e 18% dos pais indicaram que não sabiam como os seus filhos avaliariam a sua experiência; 80% dos cônjuges são casados pela primeira vez e classificaram a sua satisfação conjugal como muito elevada (note-se que este inquérito não conseguiu incluir os cônjuges divorciados do clero da IMU); e 49% estão na faixa etária de 51 a 64 anos, com um total combinado de 38% com menos de 50 anos de idade. A mudança da natureza do papel do cônjuge do clero ainda tem de alterar muitas expectativas de muitas das nossas congregações. (“The Clergy Spouses and Families in the United  Methodist  Church  Survey”,  2009, <http://www.gcsrw.org/ ClergyFamilyandSpouseSurvey/aspx>).

Embora o inquérito de 2009 tenha demonstrado que os papéis e as expectativas dos cônjuges dos membros do clero estão a mudar, também revelou que as experiências de ser invisíveis, solitários, alvos de falatórios e hostilidades de paroquianos, frequente desconsideração das necessidades das famílias dos membros do clero, nomeadamente de habitação adequada, segura e eficiente e das carreiras e desenvolvimento profissional dos cônjuges e a desconfiança crónica das consequências da procura de aconselhamento profissional, conjugal e/ou familiar por receio de como a Igreja (conferência anual e local) possa considerá-los como sendo “problemáticos” continua a ser demasiado comum entre os nossos cônjuges de membros do clero.

É impensável acreditar que as congregações desejem intencionalmente a ansiedade e o sofrimento que a vida vivida como num “aquário” possa causar. Certamente que, muitos paroquianos achariam inaceitável que as suas expectativas e exigências (faladas e não faladas) causassem sofrimento e dificuldades adicionais à(s) família(s) do(s) seu(s) membro(s) do clero.

Comunidade cristã para todas as nossas famílias

Como metodistas unidos imaginamos igrejas e congregações em que todos os filhos de Deus são bem-vindos à Mesa, todos são acolhidos e respeitados pelos seus próprios dons e talentos, e são transformados para ser Cristo para os outros no mundo. Somos uma Igreja de discípulos, cada um deles para se envolver

completamente na transformação do mundo, independentemente do seu estatuto familiar.

A nossa Igreja atribui grande valor às nossas famílias, mas as necessidades e crises das famílias dos nossos membros do clero podem passar despercebidas, não identificadas e não resolvidas. As famílias dos membros do clero são como todas as outras famílias com qualidades e tensões semelhantes a todas as famílias. Precisam de ter privacidade e limites que protegem a vida, assim como outras famílias têm.

O que se pode fazer?

Os papéis do cônjuge e da família do membro do clero são únicos e frequentemente assumidos como garantidos. Estes papéis são, no entanto, críticos para o bem-estar e o sucesso do ministério do clero. Apoiar a saúde emocional, espiritual, física e económica das famílias dos nossos membros do clero é um ministério para recomendar a cada congregação e conferência anual. Para reconhecer que os membros do clero têm famílias que apresentam diferentes formas e têm diferentes necessidades, os congregantes podem:

  1. Examinar as suas próprias atitudes, percepções e expectativas, identificando-as quando estas não são realistas ou são impraticáveis;
  2. Fazer a si mesmos as perguntas que identificarão qualquer sexismo ou racismo nas suas expectativas e suposições: se este cônjuge ou familiar do membro do clero fosse de outro género ou de outra raça, será que eu teria as mesmas expectativas? Será que eu faria as mesmas suposições? Será que eu reagiria de forma diferente se fosse membro de uma família congregacional?

3. Não esquecer que os membros do clero e as suas famílias são seres humanos com as suas próprias vidas pessoais e profissionais;

4. Providenciar uma forma de partilhar segura e honesta às famílias dos membros do clero quando a tensão se acumula;

5. Encorajar as famílias dos membros do clero a procurar obter ajuda e tomar mesmo a iniciativa de providenciar recursos e apoio;

6. Clarificar com regularidade e manter as suas expectativas realistas, reconhecendo que os pedestais são para as estátuas;

7.    Reservar tempo em família e proteger os limites da vida

familiar;

8. Providenciar residências pastorais adequadas, limpas, saudáveis, seguras e eficientes (as quais as famílias dos membros do clero também devem tratar com respeito e cuidado), pressupondo que esta é a casa da família e do membro do clero e não uma extensão da propriedade da igreja.

As congregações podem compartilhar os modelos efectivos e renovadores que funcionam nas áreas episcopais e conferências em torno da Igreja, incluindo, entre outros, os seguintes:

1. “What Do I Do If . . .?Basic Information Handbook for Clergy Spouses (O que devo fazer se . . .?Manual de Informações Básicas para os Cônjuges de Membros do Clero), da Conferência de Iowa, distribuído pelos cônjuges de membros do clero após o comissionamento ou ordenação do seu cônjuge.

2. O programa da Conferência da Florida de educação, cura e cuidados preventivos para os membros do clero e as suas famílias, chamado Shade and Fresh Water (Sombra e Água Fresca). (Esta abordagem em três partes inclui uma presença terapêutica para famílias em crise ou que necessitam de apoio, incluindo aconselhamento profissional e um espaço seguro; um programa preventivo para famílias de clérigos em transição de nomeações; e um programa de auto-suficiência que incentiva modelos saudáveis de vidas bem equilibradas).

3. Programas variados, orientação e iniciativas de organizações como The Center for Ministry (Centro para Ministérios), o Center for Pastoral Effectiveness and Spiritual Direction (Centro para Eficiência Pastoral e Direcção Espiritual) e sítios Web para pastores, tais como o “Desperate Preacher ’s Site” (Sítio Web para o Pastor Desesperado), PreachersKids.com, para os filhos de pregadores, e spouseconnect.blogspot.com, para os cônjuges contactarem entre si.

4.    O sítio Web www.gcsrw.org/Clergyspouse para publicações e envio de artigos, eventos, retiros e recursos para os cônjuges de membros do clero e as suas famílias.

5. O livro, How the Other Half Lives: The Challenges Facing Clergy Spouses and Partners (Como Vive a Outra Metade: Os Desafios Enfrentados pelos Cônjuges e Parceiros(as) de Membros do Clero), da autoria de Johnna Fredrickson & William A. Smith. Publicado por The Pilgrim Press, Cleveland, Ohio, 2010.

6. Clergy Housing Handbook: Parsonages (Manual sobre Habitação para Membros do Clero: Residências Pastorais), disponível em: www.gcsrw.org/clergyspouse .

Trata-se de uma compilação de melhores práticas de conferências anuais com recomendações relativas à habitação

e listas de verificação, concebidas para facilitar uma comunicação franca, saudável e acolhedora entre os membros do clero, os seus cônjuges e famílias, assim como os seus congregantes.

7. A colaboração contínua entre a Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher, a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado e a Comissão Geral sobre Religião e Raça.

    Por conseguinte, fica resolvido, que a Conferência Geral da Igreja Metodista Unida solicite a cada um dos seguintes grupos para enfrentar esta crise crescente entre as nossas famílias de membros do clero:

1. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher trabalhará em colaboração com a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado para convocar uma cimeira para a pesquisa de questões que afectam os cônjuges e as famílias de membros do clero, para identificar e promover recursos existentes relevantes e eficientes, planear o desenvolvimento de recursos adicionais necessários para abordar estes problemas e apresentar recomendações de carácter legislativo à Conferência Geral de 2016.

2. Bispos, gabinetes e juntas de ministério ordenado promoverão recursos específicos das conferências, modelos de formação e de orientação e programas de assistência e aconselhamento a todos os membros do clero e às suas famílias.

3. Os comités de relações entre o pessoal e as paróquias usarão estratégias e recursos de formação para os seus membros em relação a problemas específicos dos membros do clero e das suas famílias.

4. Os/as superintendentes de distritos e os seus cônjuges podem ser chamados a providenciar modelagem de comportamentos e liderança para as suas famílias de membros do clero através de estratégias bem sucedidas. Os/as superintendentes darão

prioridade a esta questão enquanto trabalham com congregações locais sobre transições e nomeações em curso.

5. As comissões de conferências anuais sobre o estatuto e papel da mulher observarão os cônjuges e as famílias de membros do clero para ajudar as conferências anuais, os bispos e os gabinetes, assim como as agências gerais na recolha de dados e no desenvolvimento de recursos e estratégias em resposta aos desafios da vida nas famílias de membros do clero.

6. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher alojará uma página no sítio Web www.gcsrw.org dedicado a divulgar e publicar recursos, hiperligações e eventos da conferência disponíveis e relacionados com ministérios de apoio aos cônjuges e famílias de membros do clero.

7. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher publicará em www.gcsrw.org o manual intitulado Clergy Housing Handbook: Parsonages (Manual sobre Habitação para Membros do Clero: Residências Pastorais) para uma fácil disponibilidade e acesso livre pelas igrejas locais e conselhos de administração das conferências, concelhos de relações entre pessoal e congregantes, bispos, gabinetes, juntas de ministério ordenado e comissões sobre o estatuto e papel da mulher.

8. A pesquisa e os dados provenientes das conclusões da cimeira da Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher (GCSRW) em colaboração com outras juntas, conselhos e agências gerais da igreja serão publicados num documento de síntese disponibilizado para ser utilizado pelas conferências anuais da Igreja Metodista Unida e por outras denominações e entidades religiosas.

APROVADO EM 2004

EMENDADO E REAPROVADO EM 2012

RESOLUÇÕES 2023, 2008 do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2012

RESOLUÇÃO 22 do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2004

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161B.

 

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SEXUALIDADE HUMANA

Introdução: Má conduta de natureza sexual cometida por membros leigos e do clero é um problema contínuo em toda a Igreja. Três por cento das mulheres que frequentavam a igreja em qualquer mês relataram ter sido assediadas ou abusadas sexualmente por um membro do clero em algum momento das suas vidas adultas, de acordo com um estudo à escala nacional (Diana Garland, “The Prevalence of Clergy Sexual Misconduct with Adults: A Research Study Executive Summary, 2009”; .baylor.edu/clergysexualmisconduct/index.php?id=67406>, acedido e 16 de Julho de 2010). Revelações contínuas sobre os maus-tratos de líderes religiosos em todas as comunidades religiosas relembram aos metodistas unidos a necessidade de enfrentar a nossa própria crise de abuso (M. Garlinda Burton, “United Methodists Need to Face Abuse Crisis: A UMNS Commentary,” umc.org 2010; , acedido a 14 de Junho de 2010). A Igreja Metodista Unida tem uma média de entre 140 e 500 casos conhecidos de má conduta sexual anualmente, só nos Estados Unidos (Sally Badgley Dolch, Healing the Breach: Response Team Intervention in United Methodist Congregations, Doctor of Ministry, Seminário Teológico de Wesley, 2010, pp. 131-32). A sondagem mais recente sobre Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida revelou um aumento significativo do assédio sexual perpetrado por leigos (Gail Murphy-Geiss, “Sexual Harassment in the United Methodist Church,” Chicago: General Commission on the Status and Role of Women, 2005). A responsabilidade de tratar essas queixas cabe aos nossos líderes judiciais.

Os bispos e os superintendentes de distritos são responsáveis por garantir que a igreja responda às alegações de má conduta sexual por parte de uma pessoa leiga ou membro do clero no âmbito de uma relação ministerial, atendendo tanto à justiça processual como à preocupação pastoral. Na resposta da igreja a má conduta, não pode haver verdadeira justiça processual na ausência de preocupação pastoral, assim como não pode haver verdadeira preocupação pastoral sem justiça processual. As necessidades duplas de justiça processual e preocupação pastoral são muito melhor atendidas pelo esforço de uma equipa do que por um indivíduo. Um relato completo da aplicação da justiça requer o envolvimento de diferentes pessoas em papéis distintos ao longo de um processo de revelação, adjudicação e cura. Uma Equipa de Resposta/Intervenção/Atendimento formada é constituída por um grupo de pessoas com experiência em áreas específicas de trauma prontas para serem enviadas pelo bispo ou por alguém nomeado pelo bispo para facilitar o processo de cura mandatado pelo Livro da Disciplina.

     Definição: As Equipas de Resposta são convocadas para uma situação de trauma, a fim de promover a possibilidade de cura para a congregação e os indivíduos envolvidos. O ministério da equipa de resposta fornece um meio para que os líderes judiciais possibilitem a avaliação, intervenção, formação e recursos efectivos das congregações que vivem eventos que afectam a saúde congregacional ao alistar um grupo de pessoas com formação, experiência e recursos em áreas específicas do ministério. Os membros podem ser pagos ou não. A Equipa de Resposta não é chamada para nenhum processo judicial ou disciplinar para resolução legal de uma situação. A Equipa de Resposta é chamada à acção pelo bispo ou por alguém designado pelo bispo, geralmente um superintendente de distrito, e é responsável perante o bispo.

    Mandato Disciplinar para Providenciar a Cura: O bispo e o gabinete têm o mandato de “providenciar um processo de cura dentro da congregação” ou outro contexto de ministério como parte da resposta de supervisão (¶ 363.1f, Livro da Disciplina de 2012) e processo judicial (¶ 2701.4.c). A Disciplina também permite o uso de uma Equipa de Resposta para prestar cuidados pastorais ao tratar e acompanhar uma queixa: o bispo pode seleccionar “pessoas com qualificações e experiência em avaliação, intervenção ou cura” para auxiliar durante a resposta de supervisão (¶ 363.1b, Livro da Disciplina de 2012). Essas pessoas podem desempenhar papéis distintos, tal como o apoio individual ao acusado e o apoio individual à congregação e às famílias afectadas. Estas funções são adicionais a qualquer nomeação provisória feita de acordo com o Livro da Disciplina de 2012, ¶ 338.3. Em todos os casos, o bispo inicia e orienta a resposta da igreja ao abuso sexual ministerial.

O uso eficaz de uma Equipa de Resposta pode diminuir a responsabilidade legal e promover a justiça. Quando as vítimas sentem que a igreja está a atender às suas necessidades e a procurar um processo completo para a justiça, é mais provável que continuem a envolver a igreja na solução de problemas e na sua resolução, em vez de procurar buscar procedimentos civis (por exemplo, processar a conferência). Disseminar o trabalho de cuidado pastoral e de justiça entre várias pessoas, cada uma com um papel distinto, também reduz os conflitos de interesse reais e perceptíveis. Uma Equipa de Resposta formada e pronta, reunida em tempo oportuno, pode ajudar o bispo na tarefa holística de fazer justiça.

A Igreja Metodista Unida recomenda o uso de Equipas de Resposta em casos de má conduta sexual por parte de líderes ministeriais e exorta os líderes judiciais a treiná-los e empregá-los. Apenas 18 conferências anuais nos EUA mantêm uma Equipa de Resposta activa e formada (“activa” define-se como tendo respondido a mais de uma congregação dentro de um período de três anos. Seis conferências adicionais usaram uma Equipa de Resposta uma vez entre 2007 e 2009. Sally B Dolch, Healing the Breach). Entre 2007 e 2009, estas equipas responderam a 156 incidentes, com uma média de quase três casos por conferência, por ano. Extrapolando esses dados para todas as jurisdições, calculamos que mais 112 casos de má conduta sexual ministerial são tratados por conferências anuais nos EUA, todos os anos sem a assistência de uma equipa de resposta. Exortamos os bispos, superintendentes distritais, chanceleres e outros líderes de conferências da Igreja Metodista Unida a procurar obter formação em relação à utilização de uma Equipa de Resposta, a organizar e a providenciar a formação do pessoal da Equipa de Resposta e a usar essas equipas como parceiros no ministério de cura exigido, quando alguém na liderança viola a confiança sagrada do ministério por má conduta sexual.

Para obter mais informações sobre como os líderes judiciais e as equipas de resposta podem colaborar entre si para promover a cura a nível congregacional, consultar When a Congregation Is Betrayed: Responding to Clergy Misconduct da autoria de Beth Ann Gaede e Candace Reed Benyei (Herndon, VA: Alban Institute, 2006, pp. 102-16) e o “Guide to Using a Response Team”, http://umsexualethics.org/ConferenceLeaders/Response Teams.aspx.

APROVADO EM 2012

RESOLUÇÃO No. 2043, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2012

Consultar Os Princípios Sociais, ¶ 161J.

 

2044. Má Conduta Sexual no Âmbito das Relações Ministeriais Consultar a página 775.

BOR ¶ 2045. Erradicação do Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida e na Sociedade

Desde meados da década de 1970, quando o termo “assédio sexual” foi reconhecido pela primeira vez, o mundo observou uma evolução na consciencialização, leis e litígios, políticas, defesa e colaboração internacional para erradicar o assédio sexual no local de trabalho. Nas nossas próprias comunidades, deixámos de discutir se o assédio sexual é ou não um problema e passámos a presenciar mulheres e homens a unir-se através das fronteiras nacionais para abordá-lo em ambientes globais, igrejas e ministérios, assim como locais de trabalho multinacionais.

Desde os anos 90, o assédio sexual é uma forma reconhecida de violência sexual e má conduta nas nossas sociedades e na Igreja Metodista Unida. A Igreja declarou o assédio sexual um pecado contra indivíduos e comunidades, e uma ofensa punível contra os nossos membros do clero e leigos. Essencial para a nossa compreensão do impacto do assédio é o reconhecimento de que é certamente um abuso de poder de uma pessoa sobre outra e não apenas uma conduta imprópria de natureza sexual ou com base no género.

Definições

A começar pela continuidade de comportamentos que inclui o assédio sexual: A má conduta sexual dentro dos relacionamentos ministeriais é uma traição da confiança sagrada. É uma continuidade de comportamentos sexuais ou com base no género não desejados, por uma pessoa leiga ou membro do clero no âmbito de uma relação ministerial (remunerada ou não). Pode incluir o abuso de crianças, o abuso sexual de adultos, o assédio sexual, o estupro ou agressão sexual, os comentários verbais sexualizados ou visuais, o contacto físico ou propostas de natureza sexual indesejadas, o uso de materiais sexualizados, incluindo a pornografia, a perseguição, o abuso sexual de jovens ou de pessoas sem capacidade para consentir ou o uso indevido da posição pastoral ou ministerial usando uma conduta sexualizada para aproveitar-se da vulnerabilidade de outra pessoa. Inclui comportamentos criminosos em algumas nações, estados ou comunidades.

O assédio sexual é uma forma de má conduta sexual. Os Princípios Sociais definem-no como “qualquer comentário sexual indesejado, proposta ou exigência, quer seja de natureza verbal ou física, que seja razoavelmente percebido pelo destinatário como humilhante, intimidante ou coercitivo. O assédio sexual deve ser compreendido como uma exploração e abuso de uma relação de poder e não como uma questão exclusivamente sexual. O assédio sexual inclui, mas não se limita à criação de um ambiente de trabalho hostil ou abusivo resultante de discriminação com base no género” (¶ 161J).

Para esclarecer ainda mais, é um comportamento sexual indesejado ou com base no género, no âmbito de uma relação pastoral, de trabalho, ministerial (incluindo voluntários), de mentor ou colega, que seja tão grave ou generalizado que altere as condições de trabalho remunerado ou em regime de voluntariado ou interfira de forma não razoável com o desempenho do funcionário ou do voluntário. Pode criar um ambiente hostil e ofensivo que pode incluir piadas sexuais indesejadas, repetidas propostas de natureza sexual, contacto físico, manifestações ou comentários que insultam, degradam ou exploram sexualmente mulheres, homens, pessoas idosas, crianças ou jovens.

Geralmente, qualquer um pode ser alvo e qualquer um pode assediar — mulheres, homens, jovens, estagiários, voluntários, todos os grupos raciais e étnicos, qualquer nível de empregado, clero ou leigo. No local de aprendizagem, afecta qualquer aluno de qualquer género, qualquer grau, qualquer professor ou profissional ou qualquer voluntário.

Empresas, governos, congregações e organizações perdem recursos humanos e financeiros significativos quando o assédio é permitido para devastar trabalhadores, clientes ou membros. O assédio prejudica a auto-estima, a produtividade e a capacidade de ministrar ou ganhar salários. Pode resultar em doença, absenteísmo, baixo desempenho, perda de promoções e oportunidades. Para os alunos, pode resultar em fracasso, absenteísmo, isolamento dos colegas, perda de auto-estima e potencial de aprendizagem, afastamento de equipas e grupos, e doenças. As famílias das pessoas vítimas de assédio e outros em locais de trabalho, culto e aprendizagem também são vítimas do ambiente hostil e intimidante que o assédio cria.

Assédio na Igreja

Na igreja, o assédio pode ocorrer entre um funcionário, pastor, presidente da comissão ou do conselho, professor da escola da igreja ou ajudante, estudante, campista, conselheiro, animador de jovens, voluntário ou acompanhante, remunerado ou não. Pode acontecer no autocarro a caminho do campo de férias, num grupo de jovens ou estudo da Bíblia, num computador da igreja ou num ensaio de coro. Os efeitos devastadores sobre as pessoas quando o assédio ocorre numa comunidade de fé comprometem a vida espiritual, o significado teológico e as relações. Para alguns, a perda de uma sensação de segurança e santuário pode ser permanente.

Em 1990, o Conselho Geral de Ministérios divulgou o estudo mandatado pela Conferência Geral em 1988, examinando o assédio sexual na Igreja Metodista Unida. Nessa altura, metade do clero, 20% dos leigos, quase metade dos alunos e 37% dos funcionários da igreja tinham tido uma experiência de assédio num ambiente da igreja. Há quase 20 anos, tínhamos muito trabalho a fazer para erradicar esta forma de má conduta sexual e violência.

Quatro quadriénios depois, o trabalho realizado para a eliminação do assédio sexual na Igreja tem obtido resultados positivos. Trinta e cinco conferências anuais, actualmente, atribuem a supervisão de questões de assédio a uma “equipa”, e muitas conferências exigem uma formação de consciencialização sobre má conduta sexual para todo o clero. Desde que a Conferência Geral mandatou as políticas de assédio sexual em 1996, cada vez mais igrejas de todos os tamanhos continuam a comunicar a existência de políticas em vigor (em 2007: 34% das mais pequenas e 86% das maiores congregações têm políticas, o que significa um aumento em relação a 9% e 36%, respectivamente, em 1995). A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher tem providenciado apoio e aconselhamento às vítimas e autoridades da Igreja em centenas de casos.

No entanto, as sondagens mais recentes sobre o nosso progresso na erradicação do assédio sexual (2005 and 20071) são muito preocupantes: o assédio sexual continua a ser um problema significativo para mulheres e homens, membros leigos e do clero nas nossas igrejas, programas e propriedades da igreja (incluindo computadores e a Internet):

  1. A consciencialização e o conhecimento da política da denominação sobre o assédio sexual são relativamente elevados (mais entre o clero do que o laicado), mas a consciencialização dos recursos para as vítimas e congregações é muito menor.
  2. Apesar de todas as congregações locais serem obrigadas a ter uma política e um procedimento sobre má conduta sexual, incluindo o assédio sexual, em 2007, apenas 34% das pequenas e 86% das maiores igrejas afiliadas comunicam que os têm.
  3. Noventa por centos de pastores têm frequentado pelo menos uma sessão de formação de ética sexual, mas apenas um de quatro pastores tem participado em formação adicional.
  4. Mais de três quartos de membros do clero do sexo feminino e metade das mulheres leigas tinham sido vítimas de assédio sexual na Igreja (apenas um terço dos homens leigos tinham sido vítimas); os locais e ambientes mais frequentemente mencionados foram reuniões e escritórios da igreja e locais de trabalho e convívios sociais nos seminários.
  5. Os perpetradores, a maioria das vezes, são homens e, cada vez mais leigos na igreja local. O clero comete mais de um terço das ofensas comunicadas. Uma mudança significativa desde o estudo de 1990 foi um aumento significativo no número de leigos que assediam leigos e de leigos que assediam o clero.
  6. As igrejas locais eram mais propensas a trivializar os relatórios e as queixas, enquanto os seminários e os escritórios da Igreja Metodista Unida eram mais propensos a agir contra os ofensores.
  7. Os amigos pessoais e os familiares eram quem ajudava mais as vítimas, enquanto os superintendentes de distrito, os responsáveis pelo pessoal e os administradores de seminário eram quem ajudava menos.
  8. Os efeitos negativos mais duradouros enfrentados pelas vítimas foram a incapacidade de trabalhar com o ofensor, os impactos emocionais e os sentimentos agravados sobre si mesmas e a igreja.
  9. As igrejas que têm menos membros precisam de recursos e formação desenvolvidos especificamente para os seus ambientes e dinâmicas especiais.

1. “Sexual Harassment in The United Methodist Church 2005” (Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida 2005) e o “Quadrennial Local Church Survey 2007” (Sondagem Quadrienal das Igrejas Locais de 2007), pela Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher, Chicago, Illinois, Gail Murphy-Geiss, Investigadora Principal.

Na Igreja Metodista Unida, é necessária uma vigilância constante para manter políticas e procedimentos eficazes e actualizados em todos os lugares da igreja. A formação regular dos nossos líderes leigos e do clero é um ministério crítico e contínuo da nossa igreja, com a concentração no uso problemático do “ciber-sexo” (material sexualizado nas telecomunicações) nos programas da igreja, com algo que pertença à igreja ou nas instalações da igreja.

Em 2006, realizou-se um significativo simpósio nacional sobre a má conduta sexual na Igreja Metodista Unida, intitulado “Do No Harm” (Não Fazer Mal). Naquele evento crítico, os participantes pediram aos líderes episcopais que se concentrassem na formação de membros do clero, assim como de líderes leigos e na intervenção precoce com membros do clero problemáticos. Equipas de defesa e intervenção têm trabalhado em muitas conferências, mas não em todas, e todas as áreas episcopais precisam de manter canais e procedimentos efectivos e eficazes. Precisamos e estamos gratos pela forte liderança episcopal em toda a Igreja que afirma as nossas realizações e aborda com vigor as barreiras existentes a uma denominação livre de assédio.

 

Visão da Comunidade Hospitaleira de Deus

O assédio sexual destrói a comunidade. Este comportamento alienante e pecaminoso causa a destruição das relações —- o oposto da intenção de Deus para nós. Desde as primeiras histórias bíblicas da comunidade humana no paraíso até às cartas de Paulo às primeiras comunidades cristãs, aprendemos que todos nós, homens e mulheres, somos criados à imagem de Deus e, assim, tornados iguais em Cristo. Somos chamados a ser despenseiros da comunidade de hospitalidade de Deus, onde, não só, não existe assédio, mas existe sim a presença de acolhimento, respeito e igualdade.

Por conseguinte, a Conferência Geral apela para os esforços intensificados em todo o mundo para erradicar o assédio sexual na denominação e nas suas instituições, incluindo as estratégias que se seguem:

  1. Os líderes episcopais implementam planos para abordar e erradicar o assédio sexual em cada área episcopal, incluindo a formação regular e actualizada do clero, a intervenção precoce com os membros do clero problemáticos e a formação regular de homens e mulheres leigos, especialmente em igrejas com menos membros;
  2. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher, em colaboração com as agências apropriadas (incluindo o ministério dos Santuários Seguros da Junta Geral do Discipulado), continua a desenvolver e a distribuir recursos para reduzir o risco do abuso nas igrejas locais e aumentar a compreensão e a acção dos metodistas unidos sobre o assédio sexual na igreja e na sociedade;
  3. A Junta Geral de Educação Superior e Ministério, em colaboração com as agências apropriadas, desenvolve e distribui recursos sobre o assédio sexual, especificamente para os que estão no ministério ordenado e para os líderes leigos, alunos, professores e administradores de instituições educacionais relacionadas com a Igreja Metodista Unida.
  4. As conferências anuais em toda a conexão incentivarão os seus governos locais e nacionais a recolher dados precisos sobre a incidência e a natureza do assédio sexual nos seus locais de trabalho e incentivarão os seus governos nacionais a adoptar leis, políticas e procedimentos para erradicar o assédio sexual;
  5. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher continua a acompanhar e a avaliar o progresso da Igreja na erradicação do assédio sexual e procurará maneiras de comunicar as suas descobertas à Igreja sobre as áreas específicas a fortalecer na vida da Igreja, incluindo o desenvolvimento de políticas, prevenção, educação e formação;
  6. A Junta Geral da Igreja e da Sociedade e a Junta Geral de Ministérios Globais lutarão por leis que proíbem o assédio sexual em locais de trabalho nos Estados Unidos e continuarão a fornecer recursos à denominação sobre iniciativas internacionais para erradicar o assédio e outras formas de violência contra a mulher;
  7. A Divisão de Unidade Cristã e de Relações Inter-religiosas trabalhará em colaboração com a iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas intitulada “Década para Ultrapassar a Violência” [“Decade to Overcome Violence”] (2001-2010); e
  8. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher continua a realizar avaliações do progresso da Igreja Metodista Unida para erradicar da Igreja, em todo o mundo, este comportamento condenável.

 

Para obter mais informações e recursos consultar o Livro de Resoluções de 2012, “Má Conduta Sexual no Seio de Relações Ministeriais” [“Sexual Misconduct Within Ministerial Relationships” (2044)] e o texto original desta resolução no Livro de Resoluções de 2004, pág. 155.

 

APROVADO em 1992

REVISTO E APROVADO EM 2000, 2008, 2016

RESOLUÇÃO 2045, 2008, 2012 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 37, 2004 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 31, 2000 LIVRO DE RESOLUÇÕES

 

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161J.

BOR #2046: A Ética Sexual como Parte Integrante da Formação para Liderança Ministerial

     Antecedentes: Uma sondagem realizada em 2005 pela Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher (doravante referida como GCSRW), intitulada “Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida” descobriu um número elevado de incidentes de assédio sexual em ambientes de igrejas locais e de seminários (Gail Murphy-Geiss, “Sexual Harassment in The United Methodist Church,” Chicago: General Commission on the Status and Role of Women, 2005). Um estudo realizado em 2009, “Sexo e o Seminário: Preparar Ministros para Saúde e Justiça Sexuais” [“Sex and the Seminary: Preparing Ministers for Sexual Health and Justice”] pelo Religious Institute (Instituto Religioso), descobriu que poucos seminários oferecem cursos abrangentes sobre questões de sexualidade para profissionais religiosos e a maioria dos seminaristas pode formar-se sem frequentar um curso sobre sexualidade. Além disso, os professores efectivos são os menos propensos a ensinar cursos relacionados com a sexualidade. Uma das principais recomendações do relatório é que os seminários exijam cursos sobre sexualidade humana e limites profissionais saudáveis (Kate M. Ott, “Sex and the Seminary: Preparing Ministers for Sexual Health and Justice,” New York: Religious Institute, 2009). 

Desde 1996, a Igreja Metodista Unida tem apelado para que “as escolas de teologia relacionadas com a Igreja Metodista Unida fornecessem formação sobre a prevenção e erradicação do assédio sexual, abuso sexual e má conduta sexual no seio da relação ministerial” (Livro de Resoluções de 2008, pág. 139; ver também o Livro de Resoluções de 1996, pág. 131). A Igreja Metodista Unida também tem incitado os seminários a abordar questões de pornografia e dependência de pornografia (Livro de Resoluções de 2008, pp. 155-56). Algumas escolas têm progredido bem em relação ao ensino de ética profissional e de ética sexual para o ministério, e alguns membros do corpo docente trabalham muito arduamente para atender aos aspectos éticos da profissão ministerial. No entanto, estes esforços, muitas vezes dependem do compromisso apaixonado de membros individuais do corpo docente e de administradores e ainda não estão integrados nas estruturas institucionais de expectativa no ensino do seminário. (Esta dinâmica ultrapassa a educação teológica metodista unida. Num estudo de referência de 400 páginas sobre a educação do clero pela Fundação Carnegie para o Avanço do Ensino, as questões de ética sexual e limites interpessoais são mencionadas apenas três vezes e em poucas palavras. Charles Foster, Lisa E. Dahill, Lawrence A. Golemon, e Barbara Wang Tolentino, Educating Clergy: Teaching Practices and Pastoral Imagination, San Francisco: Jossey-Bass, 2006, pp. 173, 315 e 338). A Igreja Metodista Unida deseja que a ética profissional vá além de uma ênfase especial de membros isolados do corpo docente e se torne uma parte integral e intencional do tecido da formação ministerial. A Igreja Metodista Unida apela a seminários e escolas do Programa de Estudo para reforçar a cobertura curricular existente e a formação em ética profissional para os metodistas unidos que se preparam para exercer funções de liderança ministerial.

Um grupo multidisciplinar, multiétnico, racialmente diversificado e ecuménico de estudiosos, clérigos e consultores concordou unanimemente sobre a necessidade fundamental de melhorar as estruturas de educação profissional para o clero. Muitas pessoas e grupos foram incluídos e consultados no desenvolvimento de uma estratégia para melhorar a formação em ética profissional para os metodistas unidos que se preparam para exercer funções de liderança ministerial. Em Abril de 2010, a GCSRW convocou um seminário de um dia inteiro com professores, administradores e consultores do seminário, com a participação da Junta Geral de Educação Superior e Ministério, para examinar a questão da prontidão ministerial e má conduta sexual e desenvolver recomendações para abordar esta necessidade. (Os detalhes deste seminário, juntamente com os recursos e actualizações sobre este projecto foram disponibilizados on-line durante o desenvolvimento e teste dessas directrizes: http://umsexualethics.org/Education /SeminaryCurriculumDevelopment.aspx). Dois participantes do seminário provenientes de diferentes seminários metodistas unidos comprometeram-se a oferecer um curso piloto de ética sexual para o ministério no segundo semestre de 2010. O sucesso destes cursos electivos foi comunicado à GCSRW em Janeiro de 2011. Entretanto, a GCSRW realizou sessões de audição e workshops pedagógicos. com dois seminários adicionais metodistas unidos durante o ano lectivo de 2010-2011. Também estão a ser elaborados planos para reuniões com o corpo docente de cada seminário metodista unido até 2014. A GCSRW colaborou em Janeiro de 2011 com o Instituto FaithTrust e o Religious Institute para apresentar um painel e workshop de pedagogia para a Sociedade de Ética Cristã (Society of Christian Ethics) sobre “Ensinar Sexualidade sob uma Perspectiva de Ética Profissional” (“Teaching Sexuality from a Professional Ethics Perspective”). (Esta sessão foi possível, em parte, através de uma bolsa do Wabash Center for Teaching and Learning in Theology and Religion, que é financiado pela Lilly Endowment Inc. e localizado no Wabash College em Crawfordsville, Indiana, nos Estados Unidos). A GCSRW também apresentou o seu trabalho nesta área a participantes da cimeira de ética sexual, intitulada “Do No Harm 2011” (“Não Fazer Mal”), que teve a participação de líderes metodistas unidos provenientes de 56 conferências anuais e se realizou em Houston, Texas, em Janeiro de 2011.

Na sequência destas consultas com professores, administradores, pessoal geral da agência e consultores, a GCSRW propõe o seguinte plano:

  1. Desenvolver objectivos pedagógicos relacionados com a ética profissional para ministério, os quais devem ser cobertos durante o currículo do curso de Mestrado de Divindade (Masters of Divinity) (doravante referido como MDiv);
  2. Promover o desenvolvimento de uma série de módulos curriculares com recursos para cada cadeira principal do MDiv, adaptados a cada disciplina de estudo: teologia, ética, evangelismo, estudos bíblicos, educação de campo, etc. (incluindo cada um dos estudos teológicos básicos de graduação exigidos para a ordenação metodista unida, Livro da Disciplina de 2008, ¶ 324.4a);
  3. Incentivar intencionalmente a utilização do currículo implícito (nomeadamente, políticas sobre plágio e códigos de honra estudantil) para modelar ética profissional, políticas, procedimentos e adjudicação de má conduta;
  4. Desenvolver estratégias para uma maior colaboração contínua entre seminários metodistas unidos e entre seminários, a GCSRW e outras agências gerais e juntas do ministério ordenado.

 

Cada etapa representa a colaboração contínua com o corpo docente do seminário, administradores e equipa geral da agência. Na melhor das hipóteses, a formação profissional para a liderança ministerial não deve limitar-se a um assunto, classe ou disciplina académica, mas deve, sim, permear todo o currículo básico, filosofia ou forma de estar e experiência co-curricular da educação ministerial. O objectivo primordial é que todas as pessoas que se preparam para qualquer função de liderança ministerial na Igreja Metodista Unida estejam familiarizadas e pratiquem ética profissional, ética sexual, limites saudáveis e auto-cuidado.

     Por conseguinte, fica resolvido, que a Igreja Metodista Unida necessita de um rigoroso programa de prontidão ministerial relativamente à ética profissional, ética sexual, limites saudáveis e cuidados pessoais para que o referido programa passe a ser um aspecto padrão do seminário metodista unido e do ensino do Programa de Estudo. As seguintes metas pedagógicas, competências essenciais e áreas de conteúdo devem aplicar-se aos alunos no programa do MDiv de cada seminário metodista unido e seminários adicionais aprovados pelo Senado da Universidade e ao Programa de Estudo para pastores locais licenciados.

 

Objectivos — Futuros líderes ministeriais devem:

  1. Compreender os limites interpessoais saudáveis como uma parte integrante para possibilitar a confiança necessária para o ministério;
  2. Reconhecer a ética sexual no ministério como uma questão de uso apropriado do poder e prevenção do abuso em vez de exclusivamente uma questão de “moralidade sexual”;
  3. Compreender a importância da ética profissional, incluindo as suas próprias políticas e expectativas denominacionais;
  4. Conhecer a função dos líderes judiciais na prevenção e resposta à má conduta sexual do clero;
  5. Tornar-se conhecedor da sexualidade humana, da sua própria sexualidade e de como lidar com sentimentos sexuais que possam surgir entre congregantes e vice-versa;
  6. Apreciar como a integridade sexual contribui para a plenitude espiritual e como isso é vital para a formação ministerial e saúde pessoal; 
  7. Tornar-se conhecedor dos recursos bíblicos e teológicos para tudo o que foi mencionado acima.

 

Competências — Os candidatos ministeriais devem:

  1. Praticar escolhas de vida saudáveis e equilíbrio trabalho/vida;
  2. Ser sexualmente consciente;
  3. Passar a sentir-se à vontade ao falarem sobre questões de sexualidade;
  4. Desenvolver aptidões para oferecerem cuidados pastorais e liderar o culto em questões de sexualidade;
  5. Estar empenhados em justiça sexual na congregação e na sociedade em geral.

 

Áreas do Conteúdo — Os alunos estudarão:

  1. Teologia do poder, privilégio e abuso (incluindo tópicos tais como: (dever fiduciário do ministério; paradigma de ética profissional; conflitos de interesse; limites saudáveis; predadores vs. aqueles que vão de conquista em conquista);
  2. Sexualidade humana (incluindo tópicos como: namoro, intimidade e equilíbrio trabalho/vida; gravidez, controlo de natalidade e aborto; pornografia e objectivação de pessoas; vergonha e abuso; consentimento e vulnerabilidade; aspectos genéticos, culturais e fisiológicos do género e da sexualidade);
  3. Má conduta sexual no ministério (incluindo tópicos como: violações de limites; processos judiciais de fazer justiça; secretismo; usos inapropriados de redes sociais e de tecnologias de comunicação);
  4. Cuidado pastoral (incluindo tópicos como: trabalhar com vítimas de violência e abuso sexual; transferência; relacionamentos duplos; confidencialidade e administração da informação; referências);
  5. Melhores práticas de ministério (incluindo tópicos como: cibersegurança, Santuários Seguros [Joy T. Melton, Safe Sanctuaries: Reducing the Risk of Child Abuse in the Church, Nashville: Discipleship Resources, 1998]; comunicações saudáveis, cuidado pessoal dos membros do clero; educação sexual durante toda a vida; ministério com agressores sexuais).

 

Este núcleo comum de expectativas fornecerá uma base de preparação para líderes ministeriais na Igreja Metodista Unida. A formação regular e actualizada de ética sexual actualmente exigida a todos os membros do clero sob nomeação pode basear-se nessa fundação compartilhada, em vez de ter de começar sempre pelas noções básicas (Livro de Resoluções, 2008, pág. 139). Comités distritais sobre ministério ordenado e juntas do ministério ordenado de conferências podem esperar que os candidatos ao clero tenham um conhecimento e compreensão de trabalho destas facetas da ética profissional e da sexualidade no ministério antes de serem nomeados para servir numa igreja. A formação continuada do clero durante a residência também pode basear-se neste núcleo comum.

     Fica ainda resolvido, que a GCSRW continuará o seu trabalho para melhorar a formação em ética profissional para os metodistas unidos que se preparam para papéis de liderança ministerial. Especificamente, a GCSRW continuará o plano de quatro etapas acima descrito.

Segunda etapa: A GCSRW continuará a encorajar e a equipar todos os membros do corpo docente para abordar estas questões, uma vez que as mesmas se referem especificamente à sua disciplina académica. A GCSRW trabalhará com grupos de professores para desenvolver uma série de modelos e recursos curriculares para cada cadeira central do MDiv, adaptado a cada disciplina de estudo: teologia, ética, evangelismo, estudos bíblicos, educação do campo, etc. (incluindo cada um dos estudos teológicos básicos de graduação necessários para a ordenação metodista unida, Livro da Disciplina de 2008, ¶ 324.4a).

Terceira etapa: paralelamente à segunda etapa, a GCSRW trabalhará com seminários para abordar a formação co-curricular e extracurricular dos alunos do seminário. Especificamente, a GCSRW criará directrizes para utilizar intencionalmente o currículo implícito (por exemplo, políticas de plágio e códigos de honra do aluno) para modelar ética profissional, políticas, procedimentos e adjudicação de má conduta.

Quarta etapa: A GCSRW desenvolverá estratégias para uma maior colaboração contínua entre os seminários da Igreja Metodista Unida e entre seminários, a GCSRW e outras agências gerais, e juntas do ministério ordenado. A GCSRW já iniciou este trabalho participando numa mesa-redonda, intitulada “Melhorar a Função de Salvaguarda por Seminários e Denominações” (“Improving the Gatekeeping Function by Seminaries and Denominations”), convocada pelo FaithTrust Institute, em Março de 2011.

Avaliar a nossa Responsabilidade: Os seminários têm muita flexibilidade para contextualizar as formas através das quais estes objectivos de aprendizagem são atingidos. Cada seminário tem a liberdade de moldar os seus currículos e cursos de maneiras que melhor atendam às estruturas do seminário em particular. Essas directrizes não especificam uma cadeira adicional de três horas por semestre para a ordenação (embora seja uma forma possível de atingir os objectivos indicados acima), mas sim que os objectivos sejam alcançados durante todo o grau académico profissional (MDiv) ou cinco anos de Programa de Estudo. Pretende-se que os administradores do seminário coordenem a forma como estes tópicos serão abordados em diferentes disciplinas e cursos académicos e como cada uma destas competências e objectivos será alcançada ao longo de qualquer via académica.

 

Fica ainda resolvido, que a Igreja Metodista Unida necessita de que:

  1. Os comités distritais e as Juntas de Ministério Ordenado das conferências esperam que os licenciados de seminários e de Programas de Estudo, a começar pela classe de alunos com início em 2013, tenham atingido os objectivos, alcançado as competências e coberto as áreas de conteúdo, conforme delineado;
  2. Cada seminário comunique à GCSRW, até Janeiro de 2014, o seu plano para alcançar os objectivos indicados acima; 
  3. Os directores do Programa de Estudo comuniquem o mesmo à GCSRW até Setembro de 2014; 
  4. A GCSRW ajude o decano académico ou outro administrador em cada seminário na interpretação desses objectivos, comunicando o plano de conformidade e avaliando o sucesso do programa; e
  5. A GCSRW comunique os resultados deste esforço à Conferência Geral de 2016. 

 

APROVADO em 2012

RESOLUÇÃO 2046, 2012 LIVRO DE RESOLUÇÕES

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161J.

PORNOGRAFIA

Por toda a Biblia, existem temas que destacam a natureza imperfeita da humanidade e a esperanção através da nossa relação como filhos de Deus entre os braços acolhedores de Deus. As leis de pureza do Antigo Testamento convidam a compreensão do corpo criado á imagem de Deus e responsável perante Deus através da relação correcta. Cristo compartilhou connosco uma visão do mundo que confirma a nossa vulnerabilidade e afirma a pessoalidade sagrada. Jesus Cristo fornece um caminho para uma relação afectiva e protectora com Deus e com os outros; tratar o nosso próximo e famílias com amor, promovendo assim relações físicas e emocionais saudáveis. John Wesley descreveu o caminho para a relação correcta com Deus, a fim de alcançar o convite para o reino de Deus como uma jornada em direcção à perfeição cristã. Lutamos arduamente ao longo da vida para avançarmos em direcção a essa visão da perfeição cristã num mundo imperfeito.

No meio do nosso mundo imperfeito, lamentamos as acções de exploração sexual e pornografia. Os nossos Princípios Sociais declaram que “Deploramos todas as formas de comercialização, abuso e exploração do sexo. Apelamos para uma aplicação global estrita das leis que proíbem a exploração sexual de crianças e a protecção adequada, a orientação e o aconselhamento para as crianças vítimas de abuso. Todas as pessoas, independentemente de idade, sexo, estado civil ou orientação sexual, têm o direito de ter os seus direitos humanos e civis garantidos e de ser protegidos contra a violência. A Igreja deve apoiar a família no fornecimento de educação adequada à idade em relação à sexualidade para crianças, jovens e adultos” (¶ 161F Livro de Resoluções, 2012).

A questão da pornografia sofreu uma mudança dramática nas últimas duas décadas, a qual muda a definição, aumenta a complexidade e requer um novo nível de discussão. O uso de temas violentos e agressivos que acompanham material sexualmente explícito tem continuado a aumentar. A televisão, a Internet e as tecnologias sem fio emergentes tornaram a media social sexualmente agressiva amplamente disponível, especialmente para crianças e jovens. A pornografia é frequentemente invocada como fonte de informação sobre sexualidade. A Igreja é chamada a liderar a sociedade na articulação de uma ética que afirme o bom dom de Deus da sexualidade humana e que proteja os seres humanos vulneráveis contra a violência e a coerção sexuais.

Compreensões comuns sobre pornografia já não nos servem bem. Alguns acreditam que a pornografia é um mal social porque é sexual, enquanto outros podem defender a pornografia como um direito universal à liberdade de expressão porque é sexual. No entanto, a verdade é que a pornografia não é apenas sobre sexo; muitas vezes é sobre violência, degradação, exploração e coerção.

Apesar de não haver um acordo generalizado sobre as definições, sugere-se o seguinte como base para o diálogo:

Pornografia é material sexualmente explícito que se destina principalmente ao propósito de excitação sexual que frequentemente retrata violência, abuso, coerção, dominação, humilhação ou degradação. Além disso, qualquer material sexualmente explícito que represente crianças é considerado pornográfico.

O impacto da pornografia no comportamento é difícil de avaliar. Apesar de haver poucos indícios de que consumir pornografia leve um indivíduo a cometer um acto específico de agressão sexual, vários estudos sugerem que esse consumo é viciante e pode predispor um indivíduo a ofensas sexuais, e que apoia e incentiva os delinquentes sexuais a continuar e a intensificar o seu comportamento violento e abusivo. Poucos contestam o facto de que uma sociedade que apoia indústrias de vários milhares de milhões de dólares promovendo a violência sexual como entretenimento e retratando o abuso e a tortura de mulheres e crianças num contexto sexual é uma sociedade em apuros.

“A pornografia, por sua própria natureza, é uma toxina de igualdade de oportunidades. Danifica o espectador, o artista ou actor, os cônjuges e os filhos dos espectadores e artistas ou actores. É uma distorção do poder e promove uma compreensão doentia sobre o sexo e as relações. É mais tóxica quanto mais se consome, quanto mais “difícil” é a variedade que se consome e mais jovem e mais vulnerável é o consumidor. O dano é tanto no domínio de crenças como de comportamentos. Os danos da crença podem incluir distorção da pornografia, crenças que dão permissão e atitudes sobre o que constitui uma relação sexual e emocional saudável. O dano comportamental inclui comportamentos psicologicamente insalubres, comportamentos socialmente inadequados e comportamentos ilegais”.1 

 

1. Layden, Dr. Mary Anne, Co-Director, Sexual Trauma and Psychopathology

Program, Center for Cognitive Therapy University of Pennsylvania, Testimony, The Science Behind Pornography Addiction, US Senate Committee on Commerce, Science and Transportation Web site, (expert witness testimony), http://com merce.senate.gov/hearings/witnesslist.cfm?id=1343 (18 de Maio de 2005).

 

A grande maioria da pornografia está inextricavelmente ligada à opressão das mulheres. O seu apelo continuará enquanto a excitação sexual for estimulada por imagens de poder e dominação de uma pessoa sobre outra, na maioria das vezes do sexo masculino sobre o sexo feminino. A pornografia também está ligada ao racismo; mulheres de cor são invariavelmente retratadas da maneira mais violenta e degradante. O poder destrutivo da pornografia reside na sua capacidade de assegurar que as atitudes em relação à sexualidade continuarão a ser influenciadas por imagens que negam a dignidade humana, a igualdade e a mutualidade. A pornografia contribui para a alienação das relações humanas e distorce a integridade sexual tanto das mulheres como dos homens.
A expansão da pornografia na Internet nos últimos anos tornou o acesso mais fácil para os provedores e consumidores de pornografia, e especialmente para os adultos que abusam sexualmente as crianças. Há indícios crescentes de que os pedófilos utilizam rotineiramente a Internet para atrair crianças. Um número impressionante de salas de chat promove o estupro, o incesto, o sexo com crianças, a prostituição infantil e outros comportamentos criminosos e violentos.

Materiais pornográficos estão a ser transmitidos no ciberespaço em escala global, permitindo o acesso tanto de adultos como de crianças. Advertências sobre a existência de materiais gráficos nesses sites não impediram que as crianças os visualizassem. A maioria dos sites oferece “visualizações” gratuitas de imagens gráficas, obscenas e violentas e está vinculada a outros sites. Segundo a Comissão de Pornografia dos Estados Unidos, adolescentes dos 12 aos 17 anos encontram-se entre os maiores consumidores de pornografia.

Aqueles que são retratados em imagens pornográficas na Internet são tipicamente as mulheres, especialmente mulheres de cor. Os corpos femininos são tratados como objectos e mercadorias, e partes do corpo feminino são desmembradas e aumentadas para efeitos pornográficos e consumo cibersexual. A natureza global da Internet e a sua falta de regulamentação permitem que esses materiais que podem ser legais num país sejam acedidos noutro país onde podem ser ilegais. As fronteiras nacionais são facilmente cruzadas e não há código internacional de conduta para controlar material pornográfico.

Importa garantir que as crianças e os jovens sejam protegidos contra o material pornográfico. A supervisão e o amor de pais cristãos e outros adultos atenciosos, apoiados pela extensa família da igreja, são a principal fonte de educação sexual. Uma abordagem abrangente da educação sexual oferece uma base adicional para combater a pornografia. Crianças, jovens e adultos precisam de oportunidades para discutir a sexualidade e aprender através de materiais de educação sexual de qualidade nas famílias, igrejas e escolas. Uma mensagem alternativa à pornografia, contida em materiais de educação sexual adequados à idade, cuidadosamente preparados, que sejam factuais e explícitos e retratem relações atenciosas e mutuamente consentidas entre adultos casados, é necessária. Os materiais devem ser avaliados pelas intenções expressas e pelos objectivos servidos e não pelo grau de explicitação das imagens sexuais. Se não fornecermos esses materiais, acompanhados da supervisão de pais e adultos, arriscamos a dependência da pornografia pelas crianças e pelos jovens como principal fonte de informação sobre a sexualidade.

A nossa posição sobre a pornografia é clara: opomo-nos a todas as formas de pornografia. Apoiamos leis que protejam mulheres e crianças e encarceram aqueles que são fornecedores na “indústria” que instiga e expande actividades de pornografia infantil e adulta.

O vício em pornografia adulta afecta as relações conjugais, as relações familiares e pode levar a comportamentos criminosos. O viciado deve ser tratado com as melhores práticas a fim de obter recuperação e reabilitação completas e totais para garantir a melhor possibilidade de futuras relações saudáveis. Quando a reabilitação e a recuperação falham, estamos prontos para apoiar os cônjuges e famílias de viciados com amor e carinho.

O vício em pornografia infantil é um comportamento perverso e criminoso que deve ser tratado através de meios legais e de reabilitação. Lamentamos o uso do sistema de justiça criminal como o único meio de abordar o vício; no entanto, quando o viciado em pornografia recorre ao comportamento criminoso que prejudica ou fere outra pessoa, especialmente crianças ou se a reabilitação não for bem-sucedida, apoiamos meios legais através dos quais a pessoa com o vício é responsabilizada e controlada pelo sistema legal para proteger o viciado e as vítimas contra futuros danos.

A Igreja Metodista Unida já está a citar a violência sexual e o abuso sexual como pecados e a comprometer-se a trabalhar para a sua erradicação (“Domestic Violence and Sexual Abuse” (“Violência Doméstica e Abuso Sexual”), Livro de Resoluções de 2000, “Violence Against Women and Children”  (“Violência Contra Mulheres e Crianças”), Livro de Resoluções de 2008) e afirmando que “as crianças devem ser protegidas contra a exploração e o abuso económico, físico, emocional e sexual” (Princípios Sociais, ¶ 162C).

 

Compreendendo que a pornografia retrata a violência, o abuso e a humilhação num contexto sexual e compreendendo que qualquer representação sexualmente explícita de crianças é pornográfica, afirmamos que a Igreja Metodista Unida se opõe à pornografia. Além disso, afirmamos o nosso compromisso para com a educação sexual de qualidade. Para abordar a pornografia na sua raiz, encorajamos os metodistas unidos a participar em:

1. Acção para o desenvolvimento de políticas sociais e governamentais efectivas que erradiquem a pornografia infantil, a exploração de adultos e a escravização;

2. Educação para incentivar relações e comportamentos saudáveis;

3. Compaixão e encorajamento pela reabilitação e recuperação de viciados, suas famílias e vítimas;

4. Leis sensatas que se concentram num modelo de justiça restaurativa; e encorajar as pessoas encarceradas a procurar alcançar a reabilitação e a recuperação.

Apelamos à Igreja Metodista Unida, às suas agências gerais, conferências anuais e igrejas locais, para:

1. Educar as congregações sobre a questão da pornografia, especialmente a pornografia na Internet e promulgar políticas rigorosas que forneçam a supervisão dos computadores da igreja, assim como educação e formação em ética sexual;

2. Procurar estratégias para reduzir a proliferação da pornografia;

3. Trabalhar para acabar com o vínculo entre sexo e violência, incentivando relações humanas saudáveis;

4. Controlar e impedir o acesso de crianças e jovens a pornografia e a material sexualmente explícito;

5. Participar nos esforços para proibir a pornografia infantil e proteger as crianças vítimas;

6. Promover o uso de materiais de educação sexual metodistas unidos e outros materiais de qualidade que ajudem as crianças e os jovens a compreender e a respeitar a sexualidade de afirmação mútua;

7. Fornecer sessões educacionais para os pais sobre como minimizar o risco para as crianças inerente ao uso da Internet. Incentivar os pais a estabelecer regras para adolescentes e crianças; encorajar os pais a utilizar a tecnologia de triagem;

8. Apelar para a responsabilidade social em todos os meios de comunicação, incluindo a Internet e em todas as bibliotecas públicas e trabalhar com grupos locais, nacionais e internacionais que defendam a monitorização global dos media relativamente às imagens de mulheres, homens e crianças; e

9. Participar em esforços ecuménicos e/ou comunitários que estudem e abordem a questão da pornografia.

APROVADO em 1988

REVISTO E APROVADO em 2000

REVISTO E REAPROVADO em 2008, 2012

RESOLUÇÃO 2081, 2008, 2012 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 42, 2004 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 36, 2000 LIVRO DE RESOLUÇÕES

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161Q. 2101.

 

 

 

3427. Erradicação da violência sexual e com base no género

Toda a criação é sagrada aos olhos de Deus. Como muitas mulheres e crianças, juntamente com outras pessoas, são ignoradas, abusadas e violadas, apelamos para um renovado compromisso para com a proibição da violência contra as mulheres e as crianças em todas as suas formas.

A violência assume diferentes formas e, em muitos casos, é acerca de poder e controlo. A violência é um instrumento usado pelos fortes para dominar os fracos e pelos poderosos para dominar os vulneráveis. Muitas vezes, a mera ameaça de violência é suficiente para atingir o objectivo da dominância e do controlo. Os seres humanos são especialmente vulneráveis ​​em relação ao género e à sexualidade e, por conseguinte, a violência sexual e com base no género (VSBG) é particularmente devastadora.

A exploração, o abuso e a violência assumem muitas formas: o casamento infantil, a mutilação genital feminina, as crianças-soldados, o deslocamento de pessoas, a violência familiar, a poligamia, o tráfico de pessoas e a violação como um acto de guerra.

O Casamento Infantil

Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirmou que o casamento deve basear-se no consentimento. No entanto, na prática, um terço das jovens do mundo em desenvolvimento são casadas antes dos 18 anos de idade e 1 em cada 9 são casadas ​​antes dos 15 anos de idade: geralmente sem o seu consentimento e, muitas vezes, com homens que não conhecem

(Child Marriage Facts and Figures, International Center for Research on Women (Factos e Valores sobre o Casamento Infantil, Centro Internacional de Pesquisa sobre as Mulheres),

figures).

Tão recentemente, como em 2010, 67 milhões de mulheres dos 20 aos 24 anos de idade em todo o mundo tinham casado antes dos 18 anos de idade (Child Marriage Facts and Figures, International Center for Research on Women, International Center for Research on Women), http:// www.icrw.org/child-marriage-facts-and-figures). O casamento infantil em si é uma expressão de poder e controlo e pode levar a mais experiências de violência.

A Mutilação Genital Feminina

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “a mutilação genital feminina (MGF) compreende todos os procedimentos que envolvem a remoção parcial ou total da parte externa dos órgãos genitais femininos ou outras lesões nos órgãos genitais femininos por razões não médicas. A MGF é reconhecida internacionalmente como uma violação dos direitos humanos das jovens e das mulheres” (Female Genital Mutilation Fact Sheet, World Health Organization (Ficha de Dados sobre a Mutilação Genital Feminina, Organização Mundial de Saúde),

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs241/en/).

A MGF quase sempre é realizada em jovens de menor idade para evitar que as raparigas e as mulheres sintam prazer durante as relações sexuais, racionalizando que isso impedirá que as raparigas se afastem do casamento. A MGF “não tem benefícios médicos” e pode causar complicações médicas prejudiciais, incluindo “dor intensa, choque, sangramento, infecções recorrentes da bexiga e do tracto urinário, infertilidade e aumento do risco de complicações do parto e mortes de recém-nascidos” (Female Genital Mutilation Fact Sheet, World Health Organization,

http: //www.who.int/mediacentre/factsheets/fs241/en/).

As Crianças-Soldados

A UNICEF calcula que “300.000 crianças – do sexo masculino e feminino com menos de 18 anos de idade – estão envolvidas em mais de 30 conflitos em todo o mundo. As crianças são usadas como combatentes, mensageiros, carregadores, cozinheiros e para serviços sexuais forçados. Algumas são sequestradas ou recrutadas à força, outras são levadas a aderir devido à pobreza, ao abuso e à discriminação ou para tentar vingar-se pela violência perpetrada contra elas ou contra as suas famílias “(Fact sheet:

Child Soldiers, UNICEF (Ficha informativa: Crianças-Soldados, UNICEF) http://www.unicef.org/emerg/files/childsoldiers.pdf). A violência sexual é cada vez mais comum em situações de conflito e é perpetrada contra crianças e jovens do sexo feminino e masculino.

As Pessoas Deslocadas

As crianças e as mulheres deslocadas, as lésbicas, os gays, os/as bissexuais e os/as transgéneros (LGBT) e as pessoas com deficiência ou incapacidade são particularmente expostos ao risco de violência sexual e com base no género (UN High Commissioner on Refugees (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados)). Durante conflitos e desastres, as crianças são facilmente separadas das suas famílias. Limitados na sua capacidade de se proteger, são vulneráveis ​​à exploração, ao abuso e ao tráfico sexual, ao casamento forçado ou antecipado, às mutilações genitais femininas ou a outras práticas tradicionais prejudiciais. Com menos acesso ao emprego do que os homens, as mulheres e as raparigas são muitas vezes obrigadas a praticar sexo para a sobrevivência. No mundo em desenvolvimento, correm o risco de estupro, assalto e até mesmo de morte enquanto buscam água, lenha e comida para o agregado familiar. Para além destas atrocidades sociais e físicas, existem as possibilidades de gravidez indesejada, a infecção pelo VIH e a transmissão do vírus da mãe para o feto.

A Violência Familiar

A violência e o abuso existem em todo o mundo e em famílias em praticamente todas as congregações; tragicamente, nenhuma igreja ou comunidade está isenta. O abuso entre os membros da família – o abuso infantil, o abuso do cônjuge ou parceiro/a, o abuso de pessoas idosas – assume muitas formas: emocional, física, verbal, sexual e económica. Isto manifesta-se através de violência, linguagem abusiva, comportamento controlador, intimidação e exploração.

A Poligamia

Algumas tradições observam a poligamia: múltiplas esposas de um marido. A poligamia tipicamente coloca as mulheres num papel subordinado sujeito ao poder e ao controlo do marido e sem direitos legais à propriedade familiar.

O Trabalho e o Tráfico Sexual

A escravidão moderna tornou-se a empresa criminosa transnacional de mais rápido crescimento, ganhando USD 150 mil milhões (EUA) em lucros ilegais anualmente, enquanto escraviza 21 milhões de pessoas em todo o mundo (Human Trafficking, U.N. Office on Drugs and Crime, (Tráfico de Seres Humanos, Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime), http://www.unodc.org/unodc/en/human-trafficking

/what-is-human-trafficking.html). As Nações Unidas sublinham o papel da violência no tráfico, definindo-o como “o recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, através da ameaça ou uso da força ou de outras formas de coerção, de sequestro, de fraude, de engano, de abuso do poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha controle sobre outra pessoa, para fins de exploração”.

“A exploração inclui . . . exploração sexual, trabalho forçado ou serviços forçados, escravidão ou práticas semelhantes à escravidão, servidão” (Tráfico de Seres Humanos, Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, http://www.unodc.org/unodc/en/human-trafficking/what-is-human-trafficking.html).

A Violação como um Acto de Guerra

Durante séculos, as mulheres foram violadas como um acto de violência e uma demonstração de poder – especialmente em tempos de conflito e guerra. A violação tem sido e é sancionada por algumas organizações militares para a satisfação dos soldados durante a guerra. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, as “mulheres de conforto” foram forçadas a ter relações sexuais com soldados. A motivação para o abuso de mulheres também é uma estratégia deliberada para aterrorizar as forças opostas e os civis no seu território. Por exemplo, no leste da República Democrática do Congo, a violação de mulheres pelas partes beligerantes foi confirmada como “uma guerra numa guerra”. Muitas mulheres são violadas por grupos armados, incluindo as forças regulares do país. Impregnar as mulheres e forçá-las a ter filhos que continuarão a lembrá-las da sua violação é usado como uma forma de desestabilizar grupos étnicos da oposição. Infelizmente, as respostas governamentais tendem a concentrar-se na violência contra as mulheres a nível individual em vez de na violência usada como uma arma estratégica. Consequentemente, as mulheres e as raparigas são desincentivadas a relatar o crime por causa do estigma associado a ser vítima.

De acordo com United Nations Women (Mulheres das Nações Unidas), uma em cada três mulheres e jovens do sexo feminino é afectada pela violência física ou sexual durante as suas vidas. A violência tem consequências imediatas e residuais:

Trauma Psicológico

A violência sexual e de género inflige profundas feridas emocionais e físicas que podem causar cicatrizes que duram a vida inteira. As noivas crianças geralmente mostram sinais sintomáticos de abuso sexual e stress pós-traumático e, por conseguinte, são extremamente vulneráveis ​​à violência doméstica, ao abuso e ao abandono (Facts and Figures, International Center for Research on Women (Factos e Valores, Centro Internacional de Pesquisa sobre as Mulheres), http://www.icrw.org/child-marriage-facts-and-figures). Uma mulher que foi violada como uma táctica de guerra declarou: “[D]epois da violação, tinha dores o tempo todo e perdi todo o desejo sexual. Por causa da minha fadiga crónica, não pude mais trabalhar. O meu marido acabou por me abandonar a mim e aos filhos” (Child Marriage Sexual and Gender-based Violence in the Democratic Republic of Congo, World Health Organization (Violência Sexual e de Género no Casamento Infantil na República Democrática do Congo, Organização Mundial de Saúde), http://www.who.int/hac/crises/cod/sgbv/sgbv_brochure.pdf). A Organização Mundial de Saúde relata: “Muitos sobreviventes de violência sexual e de género sofrem de trauma psicológico exprimido através de sintomas como fadiga crónica, ansiedade, insónia, depressão, etc. Algumas pessoas até já recorreram ao suicídio. E o trauma que os rapazes e os homens enfrentam como testemunhas ou perpetradores de violência sexual é subestimado” (Sexual and Gender-based Violence in the Democratic Republic of Congo, World Health Organization, http://www.who.int/hac/crises//sgbv/sgbv_brochure.pdf).

Lesões Corporais

As raparigas de menor idade são afectadas por uma taxa de mortalidade mais elevada durante a gravidez e o parto. As adolescentes com menos de 15 anos de idade têm cinco vezes mais probabilidades de morrer de parto do que as mulheres de 20 anos ou mais, fazendo da gravidez uma das principais causas de morte das raparigas dos 15 aos 19 anos de idade a nível mundial (Facts and Figures, International Center for Research on Women), http://www.icrw.org/child-marriage-facts-and-figures. Um milhão de jovens do sexo feminino em todo o mundo sofrem de uma fístula obstétrica, um buraco entre a vagina e o recto ou a bexiga que é causado por um trabalho de parto obstruído prolongado, deixando uma mulher incontinente de urina ou fezes ou ambas. Isto geralmente ocorre entre as jovens que são anatomicamente imaturas. Como resultado da incontinência e do mau cheiro daí resultante, a adolescente ou a mulher é frequentemente rejeitada pelo marido e pela comunidade (What is Fistula? Fistula Foundation (O que é Fístula? Fundação para Fístula), https://www.fistulafoundation.org/what-is-fistula/fast-facts-faq/). As noivas infantis, muitas vezes incapazes de negociar efectivamente o sexo seguro, são vulneráveis às​ infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH, juntamente com a gravidez precoce. Cerca de 2.500 adolescentes são infectadas com o VIH diariamente (Opportunity in Crisis (Oportunidade na Crise), UNICEF, http://www.unicef.org/lac/Opportunity_in_Crisis-Report_EN_052711.pdf). Outras práticas, como a MGF, podem resultar em dor e propagação da infecção (Child Marriage Female Genital Mutilation Fact Sheet, World Health Organization (Ficha de Informações sobre Mutilação Genital Feminina de Casamento Infantil, Organização Mundial de Saúde) http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs241/e).

Dificuldades Económicas

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento informa que, em muitos lugares, as mulheres não têm acesso ao trabalho remunerado nem à capacidade para obter um empréstimo. Assim, as mulheres, que representam 50% da população mundial, possuem apenas 1% da riqueza mundial (Gender and Poverty Reduction, U.N. Development Program (Género e Redução da Pobreza, PNUD),  http:// www.undp.org/content/undp/en/home/ourwork/povertyre duction/focus_areas/focus_gender_and_poverty.html). As pessoas que vivem na pobreza, e particularmente as mulheres e as crianças, são afectadas desproporcionadamente pela violência. Relações interpessoais abusivas e tratamento injusto, práticas e normas culturais, políticas institucionais e práticas empresariais a todos os níveis da sociedade, inclusive entre algumas nações, continuam a negar o valor sagrado das mulheres e das raparigas e perpetuam a desigualdade com base no género. A violência sexual e de género não é apenas uma grave violação dos direitos humanos, mas destrói famílias e comunidades e dificulta o desenvolvimento, custando também milhares de milhões de dólares por ano em custos de cuidados de saúde e perda de produtividade (Estimating the Costs of Violence Against Women in Viet Nam, United Nations Women (Estimativa dos Custos de Violência contra as Mulheres no Vietname, Mulheres das Nações Unidas, http:// www.unwomen.org/~/media/headquarters/attachments/sec tions/library/publications/2013/2/costing-study-viet-nam%20 pdf.pdf).  O casamento infantil limita as aptidões, os recursos, o conhecimento, o apoio social, a mobilidade e a autonomia das raparigas. As raparigas jovens e casadas têm pouco poder em relação aos seus maridos e sogros. Apesar de considerado como uma maneira de prover para o futuro de uma filha, casada muito nova, esta será submetida a violência física e sexual, sem educação nem aptidões para criar oportunidades económicas para si ou para os seus filhos (Child Marriage Facts and Figures, International Center for Research on Women (Factos e Valores sobre o Casamento Infantil, Centro Internacional de Pesquisa sobre as Mulheres), http://www.icrw.org/child-marriage-facts-and-figures).

Estigmatização da Vítima

Muitas vítimas de violência sexual são estigmatizadas na sociedade ou rejeitadas pelas suas famílias. A moral religiosa equivocada, muitas vezes, reforça o estigma e a culpa relacionados com a violação, a violência doméstica, a identidade de género, a deficiência ou a incapacidade e as infecções sexualmente transmissíveis, como o VIH. Uma consequência significativa da violência sexual e de género é a ruptura da confiança sagrada na sociedade, incluindo a comunidade cristã, onde os membros vulneráveis são violados. Quando a quebra é reforçada, pode levar a novas manifestações sociais de violência. Por exemplo, a incapacidade de uma mulher ter um filho, o mau cheiro de uma fístula formada por um trabalho de parto prolongado ou a sua condição de portadora de VIH, são motivo de divórcio. Ao mesmo tempo, as crenças tradicionais, como o casamento infantil e a MGF, são reforçadas pela liderança tradicional e pela prática cultural obrigatória.

Ausência de Poder ou Fragilização

O efeito combinado destas muitas consequências da violência sexual e de género é a diminuição da capacidade de criar soluções e responder às preocupações locais. Todas as manifestações de violência identificadas acima limitam as oportunidades educacionais e de emprego para as mulheres. As raparigas que se casam jovens, têm menos probabilidades de falar sobre planeamento familiar – o momento e o intervalo saudáveis das gravidezes – com os seus maridos, aumentando as chances de mortalidade infantil e de morte materna. Em vez de dedicar tempo a desenvolver ideias que gerem rendimento, aumentando a saúde emocional e física de famílias e comunidades, as mulheres e as crianças atormentadas pela violência sexual e de género geralmente concentram recursos preciosos sobre a sobrevivência.

A Violência Sexual e de Género não é Algo de Novo

Mil anos antes de Cristo, Tamar foi violada pelo seu irmão Amnon (2 Samuel 13). Uma história anterior conta a violação de uma concubina por um grupo de homens (Juízes 19), e uma outra história, ainda mais antiga, narra a violação de Dina (Génesis 34). Estas histórias são não só acerca da violência causada às mulheres, mas também do fracasso dos que estão no poder para apoiar as vítimas. No caso de Tamar, seu pai, o rei David, ficou em silêncio, não fazendo nada por Tamar, a vítima, mas sim protegendo Amnon, o perpetrador e, por conseguinte, a sua própria dinastia.

A história de nossa fé é a história das tentativas de recuperar a visão de Génesis 1 de que toda a criação é sagrada à luz de Deus, e todos os seres humanos são criaturas do valor sagrado. Jesus foi um defensor do valor sagrado de todos. No relato da mulher apanhada em adultério (João 7: 53-8: 11), vemos que Jesus se opõe activamente à violência contra as mulheres. Jesus viu para além do estigma e da culpa que os seus acusadores impuseram à mulher. Ao contrário do rei David, Jesus não usou o seu poder para cobrir a injustiça, mas em vez disso reconheceu a dignidade da mulher, interrompeu a violência proposta e procurou recuperá-la para a comunidade. A resposta de Jesus exprime o seu compromisso para com uma vida abundante (João 10:10) e o seu apelo para ajudar a criar as circunstâncias nas quais a vida abundante possa prosperar. A compassiva resposta de Jesus alcança a redenção tanto da vítima como do agressor e acaba com o ciclo da violência.

O Nosso Apelo

Os metodistas unidos têm trabalhado para erradicar as diversas formas de violência que destroem a integridade de indivíduos, famílias, comunidades e nações. As pessoas de fé devem trabalhar para mudar atitudes, crenças, políticas e práticas em todos os níveis da sociedade, que desumanizem e promovam a exploração e o abuso de mulheres e raparigas. As mulheres com direitos iguais são mais instruídas, mais saudáveis ​​e têm maior acesso à terra, empregos e recursos financeiros. Dado que as mulheres e crianças, assim como outras pessoas, são ignoradas, abusadas e violadas, apelamos para um renovado compromisso para erradicar a violência contra as mulheres e as crianças em todas as suas formas.

Apelamos a todos os metodistas unidos, igrejas locais, ministérios de campus universitários, faculdades, universidades, seminários, conferências anuais, agências e comissões gerais e ao Concílio de Bispos para:

1. Ensinar, pregar e modelar a masculinidade saudável e os relacionamentos respeitosos que reflectem o valor sagrado das mulheres e das raparigas (Principles of Healthy Masculinity (Princípios de Masculinidade Saudável), http://www.maleallies.org

/principles-of-healthy-masculinity);

2. Envolver os homens e os rapazes como aliados na promoção da igualdade do género;

3. Avaliar os recursos usados em ambientes de ministérios locais para garantir a promoção do valor sagrado das mulheres e das raparigas e de uma masculinidade saudável;

4. Desenvolver ferramentas teológicas, educacionais e de defesa para aumentar a consciência e a sensibilidade pública sobre a violência sexual e de género, e para promover uma cultura de não-violência;

5. Desenvolver e implementar uma formação culturalmente relevante e culturalmente competente concentrada na violência contra as mulheres;

6. Defender o fim das práticas tradicionais prejudiciais, tais como o casamento infantil, a poligamia e a mutilação genital feminina;

7. Preconizar e defender a formação em contextos locais para as pessoas que se encontram nas linhas da frente, quando ocorrem catástrofes e conflitos, para reconhecer o aumento da vulnerabilidade à violação oportunista, à exploração sexual,

e a outras formas de violência sexual e de género enfrentadas pelas mulheres e raparigas;

8. Preconizar e defender o acesso pleno e legal a serviços de cuidados de saúde reprodutiva medicamente seguros. A violência contra as mulheres mina a saúde sexual e reprodutiva, contribuindo para as gravidezes indesejadas, os abortos arriscados e sem segurança, as fístulas, as infecções sexualmente transmissíveis e o VIH, assim como a sua recorrência;

O NOSSO APELO PARA ACABAR COM A VIOLÊNCIA       COM ARMAS DE FOGO 3428.

9. Assegurar que os serviços de saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes abordem a violência com base no género, incluindo o acesso a cuidados de qualidade imediata em casos de violação, contracepção de emergência e profilaxia pós-exposição para prevenir a infecção pelo VIH e referências adicionais (por exemplo, aconselhamento jurídico e especializado e grupos de apoio);

10. Providenciar uma educação sexual abrangente para que as raparigas e as mulheres em relações abusivas compreendam melhor os seus corpos, assim como as ferramentas e meios para se protegerem contras as doenças sexualmente transmissíveis e/ou contra as gravidezes indesejadas;

11. Preconizar e lutar para que as raparigas tenham acesso a níveis mais elevados de educação para diminuir as taxas de casamento infantil e de pobreza;

12. Assegurar que todas as crianças tenham acesso a registo e documentação, incluindo o registo de nascimento, para aumentar o acesso aos serviços básicos. e,

13. Defender a redução da guerra e dos conflitos no mundo para reduzir as condições que aumentam o risco da agressão contra as mulheres e as raparigas.

A Igreja deve reexaminar as mensagens teológicas que comunica à luz das experiências das vítimas de violência sexual e de género. Devemos tratar com extremo cuidado os conceitos importantes, mas muitas vezes mal utilizados, de sofrimento, perdão e a natureza do casamento e da família. Parte do nosso apelo, como indivíduos e como Igreja, procura abordar as causas profundas da violência, trabalhando para erradicá-la nas suas formas múltiplas e ser instrumentos de Deus para a totalidade das mulheres e das crianças afectadas. Como pessoas de fé, devemos consciencializarmo-nos sobre a forma como a violência afecta as nossas comunidades, como podemos acabar com a nossa participação nela e que intervenções porão fim aos seus ciclos contínuos.

APROVADO EM 2016

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 162C, F

 

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3442. Eliminar Todas as Barreiras: Com Vista à Aceitação Completa de Todas as Mulheres na Igreja e Sociedade

Porque, todos quantos fostes baptizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há masculino nem feminino; porque todos vós sois um, em Cristo Jesus.

(Gálatas 3: 27-28)

À medida que a Igreja de Jesus Cristo entra no seu terceiro milénio, as mulheres continuam a prestar atenção ao apelo para transformar a Igreja e o mundo em nome d’Aquele que nos nomeia e nos reclama a todos para o testemunho, a missão e uma transformação extraordinária.

Tanto quanto ele era um produto de sua era – reconhecidamente marcado por género, classe, religião e exclusão da comunidade – Jesus Cristo trouxe até nós um ministério de convite transformacional. O Cristo Vivo convidou – e ainda convida – a uma mesa comum de graça, justiça e poder, as pessoas que nunca antes tinham sido convidadas para as mesas de poder religioso, incluindo as mulheres, as minorias culturais e religiosas, os párias da sociedade e os pecadores de má reputação das comunidades.1 E as mulheres, ao reivindicar a sua voz no novo movimento de fé inflamado pelo Messias, tornaram-se líderes na expansão desse movimento e em promover a inclusão dos gentios no que foi nessa altura considerado como a renovação do judaísmo de Jesus.

As mulheres, de facto, defenderam e procuraram proteger a inclusão de igualdade de discipulado invocada por Jesus. Desta forma, desafiaram o movimento de Jesus para permanecer fiel à nova visão do relacionamento humano que Jesus iniciou, ampliando a sua mesa de comunhão, compartilhando a mensagem do próximo reino de Deus e convidando gentios (não-judeus) a compartilhar esse reino.1 Jesus tratou as mulheres com dignidade e respeito, desafiou o sexismo convencional da sua época e redefiniu para sempre o papel das mulheres na igreja e na sociedade.

Tal como com muitas expressões da fé cristã, demorou algum tempo até que a Igreja Metodista Unida e os seus antepassados ​captassem a visão de Cristo. Em 1770, a primeira mulher metodista foi nomeada líder de classe nos Estados Unidos; em 1817, as

1. An End to This Strife: The Politics of Gender in African American Church (Um Fim a Esta Luta: As Políticas do Género na Igreja Afro-Americana), da autoria de De- metrius K. Williams, Augsburg Fortress Press, 2004.

mulheres foram autorizadas a realizar encontros de oração

mas foi-lhes negada uma licença para pregar; em 1884, a ordenação de Anna Howard Shaw pela Igreja Metodista Protestante foi rejeitada e considerada fora de ordem; e plenos direitos de voto para as mulheres pertencentes à tradição metodista não foram universalmente reconhecidos até 1956.

No entanto, desde essa altura, o apelo de Deus às mulheres como pregadoras, professoras, administradoras, trabalhadoras de missão, tesoureiras, líderes leigas, administradoras fiduciárias, defensoras da paz com justiça, trabalhadoras em prol dos direitos de voto, educadoras cristãs e evangelistas, tem sido uma lufada de ar fresco em todo o mundo e em toda a Igreja nas asas do Espírito Santo, apesar da subida e da queda do nosso entusiasmo denominacional para lidar com o sexismo, os preconceitos sexistas e a má teologia. Deus tem feito maravilhas connosco e, às vezes, apesar de nós próprios. Entre as vitórias celebradas em toda a história da nossa denominação:

  • actualmente, vinte e sete por cento dos pastores metodistas unidos em igrejas locais são mulheres, em comparação com menos de um em 100 em 1972;
  • entre os 66 bispos metodistas unidos activos em todo o mundo, 13 são mulheres; 11 nos Estados Unidos e 2 em conferências centrais. Entre as bispas dos Estados Unidos, nove são brancas e duas são latinas. Nenhum outro grupo étnico e racial dos Estados Unidos está representado entre as mulheres bispas. Em 2012, a primeira mulher bispa foi eleita para servir em África. Desde 2012 não houve nenhuma mulher negra dos Estados Unidos entre os bispos metodistas unidos activos dos Estados Unidos;
  • a Igreja Metodista Unida deu ao mundo a primeira bispa afro-americana (Leontine T. C. Kelly, 1984) e a primeira bispa latina (Minerva Carcaño, 2004), da cristandade geral;
  • as mulheres perfazem metade de todos os alunos matriculados em seminários metodistas unidos, com vista à ordenação;
  • a organização denominada Mulheres Metodistas Unidas é a maior e a mais prolífica entidade de trabalho de missão, em nome das mulheres, crianças e jovens da nossa denominação, com ministérios de educação e formação, discipulado, desenvolvimento económico e social, cuidados de saúde, defesa e capacitação em mais de 120 nações em todo o mundo.

Em muitos aspectos, a Igreja Metodista Unida tem assumido o papel de porta-estandarte entre as comunhões de fé judaico-cristãs em termos de inclusão total das mulheres na vida, ministério e testemunho da igreja institucional e das suas expressões regionais e locais. No entanto, se perguntarmos: “A Igreja Metodista Unida é uma testemunha credível e fiável da aceitação exemplar de Cristo de todas as mulheres como parceiras valorizadas e respeitadas na vida institucional total e no testemunho global e no impacto da Igreja”? A resposta honesta, até agora, ainda não foi dada. Ainda ficamos aquém quando se trata de viver o desafio de Gálatas 3: 27-28, que declara que homens e mulheres são verdadeiramente um em Cristo. Ainda há áreas de liderança, de ministério profissional, de tomada de decisão e de áreas de discipulado para as quais a Igreja não confiará, dará valor, reverenciará ou atribuirá recursos às mulheres da mesma maneira que aos seus irmãos na fé. Alguns exemplos recentes incluem:

  • uma série de congregações metodistas unidas em 2007 ainda se recusam categoricamente a aceitar uma mulher como pastora sénior e opõem-se especialmente a receber uma mulher nomeada para servir uma congregação com membros de raça diferente da sua. Em 2006, uma clériga nomeada para uma igreja de membros anglo-americanos foi supostamente ameaçada por membros para dissuadi-la de aceitar a nomeação. Em outra instância, os leigos ameaçaram deixar a congregação, a menos que a pastora usasse saias em vez de calças, para provar que era “uma mulher como deve ser”;
  •   num inquérito de 2007 feito a congregações metodistas unidas locais, 18 por cento disseram que não têm mulheres a servir como ajudantes (um aumento em relação a 2004) e os cargos de presidente do conselho da igreja, tesoureiro e administrador das igrejas locais são esmagadoramente ocupados por homens e não por mulheres;
  •   a adesão metodista unida aos Estados Unidos está em declínio entre mulheres jovens (e homens) e pessoas de cor, particularmente entre aqueles que vivem em comunidades de baixos rendimentos;
  • de acordo com o relatório intitulado “Clergy Age Trends    in the United Methodist Church 2014” (“Tendências da     Era do Clero na Igreja Metodista Unida em 2014”), do Lewis Center, o número de mulheres presbíteras com menos de 35 anos de idade aumentou de 38% em 2013 para 39% em 2014;
  • uma série de respondentes leigos e clérigos a um inquérito sobre assédio sexual na igreja mandatado pela Conferência Geral de 2004 desvalorizou quaisquer ministérios pastorais relacionados com a capacitação das mulheres e a abordagem do sexismo como “fantochadas políticas”, que “não têm nada a ver com espalhar as boas novas de Jesus Cristo”;
  • uma mulher que exercia o cargo de superintendente do distrito supostamente fora insultada quando discordou de um colega do sexo masculino durante uma reunião do gabinete da conferência;
  • vários proeminentes líderes da Igreja – incluindo bispos –

juntaram-se à sociedade secular denunciando “a tirania da diversidade” e cessaram de continuar o trabalho a favor da destruição do racismo e do sexismo;

•   algo como: “Precisamos de deixar de nos preocupar com

políticas e devemos concentrar-nos no evangelho. . .” (isto é, desde que o evangelho seja interpretado de uma forma que continue a privilegiar os norte-americanos, os brancos e os homens); e “Aceitaremos uma mulher ou pessoa de cor, desde que esta seja qualificada” (Poderia deduzir-se daqui que os homens brancos são automaticamente assumidos como qualificados e que mulheres e pessoas de cor obtêm os seus empregos por causa de outros critérios e não por causa de seus dons e talentos?);

•   a organização nacional das Mulheres Metodistas Unidas

está debaixo de ataque por ter verbas a mais e demasiado poder nas mãos de um conselho de directores controlado por mulheres. As propostas por parte de opositores incluem a redução do número de directores da organização de Mulheres Metodistas Unidas que também podem servir na Junta Geral dos Ministérios Globais no interesse do “equilíbrio de género”;

•    queixas de supostos abusos sexuais de mulheres por leigos

e líderes do clero nos ambientes e recintos da igreja estão a aumentar, segundo a Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher;

•   as mulheres abrangem 54% do número total de membros

da nossa denominação e, no entanto, representam menos de 30% de ministros ordenados e apenas 27% dos cargos

melhor remunerados das conferências anuais dos EUA

(tesoureiros, chanceleres, e directores de ministérios

conexionais);

•    entre 20 bispos activos que supervisionam o trabalho da

igreja na Europa, em África e nas Filipinas, apenas dois são

do sexo feminino.

De acordo com a eticista e teóloga metodista unida Rosetta

Ross, a característica determinante de uma autêntica comunidade cristã é que nos amamos uns aos outros como Deus nos ama. Esse amor não é uma emoção passiva, meramente pessoal, mas exige que nos esforcemos constantemente por estar numa relação correcta uns com os outros, que procuremos alcançar a justiça e o bem-estar para todos e que sejamos corajosos em desfazer aquilo que bloqueia na comunidade a construção da comunidade de Deus que é amada e que ama.2

De facto, a Dra. Rosetta Ross afirma que o amor ágape na compreensão cristã é o amor que “afirma a dignidade e o valor da vida” e depende da “inter-relação de todas as relações – íntimo ou corporativo, público ou privado”, tal como exprimido através das acções, práticas e comportamentos dos indivíduos e da comunidade corporativa do cristianismo.

“Tudo o que amamos com o amor social de ágape — a nossa compreensão de um determinado movimento; as pessoas que vivem em zonas de guerra ou sem água potável; as comunidades de que fazemos parte; a causa da justiça; ou a beleza natural da criação — é evidente nas nossas expressões de atenção fiel a esse amor”, conclui a Dra. Ross, que também é uma clériga metodista unida da Carolina do Sul”.

A Igreja Metodista Unida, como uma comunidade concebida como uma expressão corporativa do amor de Cristo por todos nós,

2. “Blazing Trails and Transcending Boundaries Through Love: Women of Col- or and ‘Religious Work’”(“Abrindo Caminhos e Transcendendo através do Amor: as Mulheres de Cor e o Trabalho Religioso”), da autoria de Rosetta E. Ross, Associate Professor of Philosophy and Religious Studies, Spelman College, Atlanta, Georgia, 2006.

declarou a sua crença na plena igualdade das mulheres e no seu desejo de aceitar e incluir as mulheres e historicamente tem criticado o sexismo institucional em todas as formas e em todos os cantos do mundo. No entanto, ainda estamos a caminho de uma vida fiel; para fazer aquilo que pregamos; para emular o modelo de Jesus de transformação radical das convenções a favor de levar a cabo a novidade de Deus quando se trata de envolver as mulheres como universalmente respeitadas e plenas participantes em todos os aspectos das nossas vidas corporativas e congregacionais. Ainda estamos a viver o que significa expandir o amor ágape a todas as filhas e filhos de Deus, para além do patriarcado histórico e da misoginia que prejudicou a participação plena das mulheres na igreja e na sociedade.

A nossa fiabilidade como uma agência do amor de Deus pressupõe que estamos a prestar atenção uns aos outros e que procuramos capacitar, libertar, levantar aqueles que ainda são oprimidos, reprimidos, ridicularizados, tratados como “inferiores a”. Este amor ágape procura melhorar o mundo através da afirmação persistente de toda a vida, e estamos dispostos a apelar a todas as pessoas e sistemas – incluindo a nossa própria denominação – para que expliquem como fortalecemos ou reprimimos os filhos de Deus. O amor ágape não receia cair no ridículo nem interromper aquilo que continua como se nada fosse. De facto, o amor de Deus exige que actuemos, mesmo que isso signifique assumir posições incómodas, impopulares, inconvenientes ou mesmo assustadoras. Além disso, requer coragem. Para citar a Dra. Ross, “Estamos a comportar-nos corajosamente quando estamos decididos a tomar medidas e a criar o contexto necessário para superar os desafios que enfrentamos ao procurar ser fiéis ao que amamos e em que estamos empenhados”.

Até que afirmemos plenamente a dignidade e o valor, as contribuições, as perspectivas teológicas, as preocupações, as esperanças, as recomendações e até o discurso das mulheres, a Igreja Metodista Unida não estará adequadamente equipada para fazer todos os discípulos, para levar uma palavra de esperança, paz e amor a um mundo quebrantado, e demonstrar a nossa autenticidade como a encarnação do corpo de Cristo que transforma a vida e supera barreiras.

Solicitamos, portanto, à Conferência Geral que reafirme o empenhamento da Igreja Metodista Unida para cumprir a seguinte recomendação, à medida que continuamos a nossa jornada para desmantelar o sexismo na igreja e convidamos todas as mulheres

de todos os grupos sociais a compartilhar a mesa das boas-vindas de Deus desafiando a denominação a:

  1. Ouvir de novo as mulheres, com nova ênfase nas mulheres de cor. As experiências das mulheres étnicas raciais nos Estados Unidos e as mulheres da Igreja Metodista Unida em África e nas Filipinas reflectem as parábolas e outras histórias do Evangelho, de triunfo sobre os obstáculos, de ser estrangeiros em terras estrangeiras, reinterpretando histórias conhecidas para novos discípulos, e falando sobre amor e justiça e exemplificar através daquilo que fazemos, especialmente porque a Igreja também existe numa sociedade que ainda é racista e sexista. Pedimos às agências gerais que criem ferramentas evangelizadoras, programas, materiais educacionais, redes e oportunidades para capacitar as mulheres na igreja e na sociedade, incluindo recursos específicos e oportunidades de liderança oferecidas às mulheres com menos de 35 anos de idade, mulheres étnicas raciais nos Estados Unidos, mulheres de países além dos Estados Unidos, mulheres em recuperação de dependência e vícios, mulheres divorciadas, mulheres profissionais, mulheres agricultoras e rurais e mulheres cépticas sobre a igreja. Além disso, incitamos as equipas de crescimento da igreja a incluir mulheres desses grupos, a fim de ajudar a Igreja a concentrar-se mais em ser um movimento vibrante na vida das pessoas em vez de ser apenas uma instituição religiosa. No nosso desenvolvimento de liderança a todos os níveis, a Igreja deve pôr energia, recursos, aptidões e acção em oração para envolver novas mulheres na liderança leiga e do clero.
  2. Defender a paridade económica e a justiça, a começar pelas nossas próprias comunidades. A nossa denominação, em grande parte, centrada no Ocidente, deve dar testemunho, através das nossas doações e da nossa vida, do poder do amor ágape ao trabalhar activamente em prol do bem-estar de todas as pessoas. Isto é particularmente crítico no nosso trabalho com as mulheres em todo o mundo que, com os seus filhos, têm mais probabilidades do que qualquer outro grupo demográfico de viver na pobreza; a não ter acesso a cuidados de saúde adequados, a habitação e a educação; e a ter falta de poder político suficiente para transformar sistemas. A Igreja Metodista Unida tem de liderar o caminho, avaliando o trabalho comparável e o valor das mulheres nas nossas igrejas, agências e entidades relacionadas, e defendendo interesses como cuidados infantis e cuidados de saúde acessíveis, equidade de remuneração, ajuda financeira e apoio educacional para as mulheres solteiras em África e nas Filipinas. Cada agência e conferência anual deve comunicar à Conferência Geral de 2012 sobre como tem envolvido as mulheres, incluindo mulheres de cor, mulheres de África e das Filipinas e mulheres com menos de 35 anos.
  3. Evangelizar e identificar, recrutar e desenvolver líderes entre as mulheres. Nos últimos anos, alguns especialistas da igreja alegaram que as igrejas cristãs se tornaram “muito feminizadas” e, por conseguinte, irrelevantes e pouco atraentes para os homens. No entanto, estes mesmos observadores não consideram que, mesmo com décadas de liderança unicamente masculina entre as igrejas, e mesmo face a uma interpretação errónea e misógina da Bíblia para excluí-las e culpá-las pelo pecado humano, muitas mulheres têm continuado a manter-se activa e alegremente envolvidas na vida da Igreja institucional. Desafiamos agências gerais e conferências anuais a incluir no crescimento da igreja e em novas estratégias de discipulado esforços para alcançar mulheres de cor, mulheres jovens, mulheres pobres, mulheres profissionais de carreira, raparigas adolescentes, mulheres mais velhas, mulheres imigrantes, mulheres sobreviventes de violência, mulheres encarceradas, mulheres que saem da prisão, mulheres que procuram, mulheres a criar os seus filhos pequenos com rendimentos limitados, etc.
  4. Adoptar uma postura de “sem tolerância” à violência sexual, ao assédio sexual e ao abuso sexual na igreja e na sociedade. De acordo com algumas estimativas de defensores da denominação e peritos em questões jurídicas, a Igreja Metodista Unida pagou mais de USD $50 milhões desde 2000 até 2004 em honorários de advogados, aconselhamento, mediação e indemnizações relacionadas com comportamento sexual condenável e abuso sexual em ambientes da igreja, cometidos por leigos e membros do clero. Embora o comportamento sexual condenável possa afectar qualquer pessoa e ser perpetrado por qualquer pessoa, a maioria dos casos envolve homens como infractores e as mulheres e as crianças como vítimas. Se as mulheres não podem confiar na Igreja para acreditar nelas, protegê-las dos abusos e oferecer-lhes uma justiça clara quando o abuso acontece, tudo isso, mais uma vez, põe em causa a autenticidade do testemunho da Igreja. Isso poderia sugerir-lhes que a Igreja – e, por extensão, Deus – não se importa com, quer ou valoriza a participação das mulheres. Apelamos ao Concílio de Bispos para colaborar com a Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher para continuar a desenvolver e a fazer cumprir políticas, leis e práticas eficazes e a aplicação consistente dessas políticas e práticas para reduzir o risco de comportamentos condenáveis e oferecer indemnização e remediação rápidas e justas às vítimas, quando o abuso ocorre.
  5. Empenhar as mulheres na exploração teológica e em dar forma e ensinar a doutrina da igreja. Não existe um ponto de vista único feminino ou uma teologia feminina ou uma visão das mulheres sobre o cristianismo. O que é comum entre muitas mulheres na Igreja Metodista Unida, no entanto, é que a sua participação no discurso teológico é tipicamente tratada como “além dos” ensinamentos bíblicos e teológicos “clássicos”. As perspectivas feministas e “mulheristas” são frequentemente consideradas subversivas e tratadas como suspeitas. As discussões da linguagem inclusiva de género, a leitura do texto hebraico e grego através dos olhos das mulheres e a teologia da libertação – especialmente como discutidas pelas mulheres – são consideradas por muitos como uma ameaça à fé cristã, em vez de novas e talvez ainda mais autênticas perspectivas sobre isso. Além disso, as mulheres leigas e pertencentes ao clero nas paróquias locais muitas vezes não se consideram como teólogas, com tanto direito a explorar a Escritura, a aceitar o evangelho de novo e a oferecer as suas aprendizagens a toda a Igreja. Exortamos a denominação a afirmar a importância das perspectivas das mulheres nas discussões teológicas da denominação e aplaudimos a Junta Geral da Educação e do Ensino Superior e Ministério pelo seu Programa de Bolsas de Estudo para Mulheres de Cor que capacita e envolve mulheres de cor na educação e no discurso teológicos. Além disso, pedimos que a junta acompanhe os seminários metodistas unidos para a inclusão das perspectivas teológicas das mulheres, tal como expresso no número de professores efectivos, etc. Além disso, convidamos a Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher a criar currículos para as igrejas locais com instrumentos de ensino sobre linguagem inclusiva, sexismo, criação de uma igreja acolhedora para as raparigas e mitos sobre as mulheres e a liderança da igreja. E pedimos aos membros activos do Concílio de Bispos que estudem, com os pastores e os líderes leigos nas suas respectivas conferências anuais, a história das mulheres como pregadoras e professoras na igreja, usando “Mulheres Chamadas para o Ministério”, um currículo em seis partes desenvolvido pela Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel das Mulheres e a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, e disponível em www.gcsrw.org.
  6. Criar uma ficha informativa sobre a superação do sexismo para cada agência e conferência anual. A Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher deve criar instrumentos de controlo suficientes, entrevistas de grupos alvo, auditorias documentais e inquéritos, juntamente com os padrões de linha de base para avaliar o progresso de cada conferência anual e de cada agência geral em termos de participação plena das mulheres, para desmantelar o sexismo institucional e enfrentar o comportamento sexual condenável.

Recursos recomendados: www.gcsrw.org, www.umsexualethics.org; The Jour- ney Is Our Home: A History of the General Commission on the Status and Role of Women (“A Jornada é a Nossa Casa: História da Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher”), da autoria de Carolyn Henninger Oehler, 2005; Resoluções de 2008, no. 2044, “Sexual Misconduct Within Ministerial Relationships” (Comportamento Sexual Condenável no Seio das Relações de Ministério Pastoral’) e no. 2045, “Eradication of Sexual Harassment in Church and Society” (“Erradicação do Assédio Sexual na Igreja e na Sociedade”).

APROVADO EM 2008

  ALTERADO E APROVADO DE NOVO EM 2016

RESOLUÇÃO no. 3442, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2012

RESOLUÇÃO no. 3443, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2008

RESOLUÇÃO no. 190 , do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2004 RESOLUÇÃO no. 180, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2000 

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 163.

ERRADICAÇÃO DO SEXISMO NA IGREJA 3443.

3443. Erradicação do Sexismo na Igreja
Considerando que, o sexismo continua a ser uma força omnipresente e sistemática dentro da nossa igreja e da nossa sociedade; e

Considerando que, o sexismo priva a igreja e a sociedade da oportunidade de usar as aptidões e os talentos que as mulheres têm; e

Considerando que, um inquérito de 2007 das igrejas locais nos Estados Unidos, realizado pela Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher, descobriu que apenas 55% de igrejas pequenas e 62% de igrejas com um grande número de membros têm políticas contra o assédio sexual; estudos sobre linguagem inclusiva são raros nas congregações locais com apenas 4% dos leigos e 31% dos membros do clero, indicando que usam linguagem inclusiva quando se referem a Deus; e as congregações urbanas mais frequentemente têm patrocinado estudos sobre linguagem inclusiva, políticas de assédio e a inclusão diversificada de mulheres leigas (como membros do conselho de administração e ajudantes, por exemplo); e

Considerando que, a Igreja continua empenhada na erradicação do assédio sexual contra crianças, funcionários, voluntários, membros do clero e as suas famílias, e congregações, apesar disso, o comportamento sexual condenável continua a ser um problema sério nas nossas conferências, com uma em cada 33 mulheres sendo vítimas de assédio sexual em reuniões e cultos de igrejas locais e um número alarmante de congregações locais não tem políticas, procedimentos nem oferece formação local organizada para os membros leigos e do clero com vista a pôr cobro e a evitar o assédio sexual e o comportamento sexual condenável; e

Considerando que, as mulheres representam 58% do número de membros da denominação, mas ocupam apenas um quinto dos principais cargos de liderança nas conferências anuais dos Estados Unidos e como líderes são grandemente relegadas para comités sem muito poder financeiro, tais como ministérios e defesa de mulheres, preocupações étnicas e raciais e ministérios da juventude, em vez de comités que exercem influência e controlo consideráveis sobre o financiamento, assim como a atribuição de verbas em ministérios de conferências anuais, e as mulheres empregadas por agências gerais da igreja detêm 77% das posições de apoio administrativo e clerical (Dados do Conselho Geral de Finanças e Administração em 2009; Mulheres por Números: números de Novembro de 2010, Dezembro de 2010, Janeiro de 2011 e Março de 2011; THE FLYER); e

Considerando que, a Igreja continua a perder clérigas de ministérios de igrejas locais que procuram fazer parte de formas de ministério mais acolhedoras, indicando um sexismo persistente, subtil e muitas vezes não contestado que nega às mulheres na Igreja Metodista Unida a oportunidade de

participar plenamente e de forma igual em todas as áreas da Igreja;

Por conseguinte, fica resolvido, que a Conferência Geral continue a comprometer-se em erradicar o sexismo na igreja e que afirme

o trabalho e as tarefas da Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel da Mulher e das comissões e homólogos relacionados com a conferência anual; e

    Fica ainda resolvido, que seja atribuído à comissão ou homólogo de cada conferência anual o apoio financeiro para realizar projectos que visam educar os membros das igrejas locais sobre as questões do sexismo e para patrocinar os eventos de liderança que capacitem os membros da comissão da conferência anual para ser melhores defensores de todos aqueles que procuram equidade e inclusão; e

    Fica ainda resolvido, que cada conferência anual, seminário metodista unido e todas as instituições relacionadas com a Igreja Metodista Unida sejam chamadas a ter políticas sobre assédio sexual e igualdade de oportunidades; e

    Fica ainda resolvido, que cada conferência anual e congregação local seja chamada a ter políticas, procedimentos e oportunidades de formação para os membros leigos e do clero com vista a pôr cobro e a evitar o assédio sexual e o comportamento sexual condenável; e que o progresso para o cumprimento total será relatado através do Gabinete Episcopal à Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel das Mulheres, a pedido da Comissão. A Comissão será responsável por informar a Conferência Geral de 2016; e

Fica ainda resolvido, que a Conferência Geral apoie a Comissão Geral sobre o Estatuto e o Papel das Mulheres, como a agência de defesa e de acompanhamento das questões relacionadas com as mulheres, a fim de aumentar as oportunidades para as mulheres em posições de liderança, promovendo a igualdade no preenchimento de cargos de tomada de decisão e fomentando a inclusão em todas as facetas da Igreja Metodista Unida.

   APROVADO EM 1996

    ALTERADO E APROVADO DE NOVO EM 2004 e 2012

RESOLUÇÃO no. 3443, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2012

RESOLUÇÃO no. 3444, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2008

RESOLUÇÃO no. 48, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2004 RESOLUÇÃO no. 40, do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2000 

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 162F.

 

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8021.                            LIVRO DE RESOLUÇÕES

8021. Funções de uma Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher ou de um Comité Correspondente de uma Conferência Anual

Concentrando-se num apelo geral para fazer discípulos de todas as pessoas, as conferências anuais cumprem as responsabilidades do Livro de Disciplina ¶ 644 através de várias estruturas criativas e formas de apoio institucional. Quando se trata de defender a participação plena das mulheres na vida total da Igreja, algumas conferências anuais mantêm uma Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher da Conferência, enquanto outras incluem esse trabalho no seio de outras estruturas estabelecidas para abordar preocupações inter-relacionadas. Um modelo tão adaptável e flexível proporciona uma oportunidade para identificar como cada conferência anual participará no trabalho de garantir que fazer discípulos em todos os níveis da Igreja seja sensível ao género e inclusivo, incentivando a cooperação entre todas as pessoas, com respeito pelos dons únicos de cada pessoa.

As conferências com ministérios activos e efectivos existentes devem continuar estes programas e comunicar regularmente com a Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher sobre o seu trabalho e o estatuto das mulheres na conferência anual. As acções recomendadas a seguir não se destinam a substituir programas já existentes ou ministérios efectivos, mas sim a orientar o planeamento independentemente da estrutura específica da conferência.

1. Organizar e acolher reuniões anuais para o apoio das mulheres e a educação sobre questões pertinentes, incluindo, entre outras, o equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar, a violência doméstica, a igualdade de remuneração, o desenvolvimento de liderança, a liderança cooperativa, a licença de maternidade e paternidade, a educação e outros tópicos relevantes

2. Discutir e encorajar a atenção dada a questões de ética sexual.

Averiguar se a conferência anual tem políticas e procedimentos em vigor para abordar casos de comportamento sexual condenável, incluindo práticas para cuidar das vítimas e comunidades afectadas (por exemplo, através da utilização de equipas de resposta). Utilizar a Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher e umsexualethics.org como recursos, patrocinar eventos de educação e de formação e trabalho para estabelecer e reforçar políticas visando um processo justo, a cura e a reconciliação.

3. Organizar reuniões com a liderança da conferência, por exemplo, o líder leigo da conferência, o Conselho de Leigos, o Comité de Nomeações, a Junta de Ministério Ordenado, o gabinete e o bispo. O objectivo destas reuniões pode incluir a recomendação de estratégias, programas

FUNÇÕES DE UMA COMISSÃO GERAL SOBRE O ESTATUTO

     E O PAPEL DA MULHER DE UMA CONFERÊNCIA ANUAL     8021

ou recursos para o esforço contínuo para melhorar a participação plena das mulheres na vida da igreja consciencializando-as sobre os dons únicos e as dificuldades suscitadas pela raça, etnia, idade, capacidade e estatuto.

4. Enviar pelo menos dois participantes para eventos de desenvolvimento de liderança patrocinados pela Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher, incluindo a cimeira de ética sexual chamada Do No Harm (Não Fazer Mal). As conferências anuais são aconselhadas a providenciar o máximo apoio possível para ajudar com os custos de viagem e a inscrição.

5. Recrutar e identificar mulheres para recomendá-las ao Conselho de Leigos, ao Comité de Nomeações e a outras entidades de liderança da conferência anual. Isto pode ocorrer através de pedidos de recomendações a todos os líderes leigos da igreja local, a líderes leigos do distrito, à Organização das Mulheres Metodistas Unidas e à Organização dos Homens Metodistas Unidos e a outras pessoas que façam parte da liderança local.

6. Fornecer pelo menos uma análise, pesquisa ou outro relatório sobre o estatuto das mulheres na conferência anual. Destacar áreas de progresso e preocupação para orientar o planeamento estratégico e o desenvolvimento futuro do ministério. Os métodos e o objectivo desses relatórios devem ser estabelecidos em consulta com a liderança da conferência, o pessoal da Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher, assim como as mulheres leigas e líderes do clero da conferência.

7.  Utilizar a Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher como um recurso regular.

A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher providenciará recursos e recomendações para sessões de formação para eventos de toda a conferência. Os kits de ferramentas para reuniões com a liderança de conferências, fichas de informações sobre assuntos das mulheres, a pesquisa mais recente e informações sobre a convocação da liderança da Comissão Geral sobre o Estatuto Papel da Mulher serão disponibilizados em gcsrw.org.

APROVADO EM 2016

 

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161. II. A COMUNIDADE ACOLHEDORA

F)  Mulheres e Homens — Afirmamos com a Escritura a humanidade comum de homens e mulheres, ambos com valor igual aos olhos de Deus. Rejeitamos a noção errónea de que um género é superior ao outro, de que um género deve lutar contra o outro, e de que os membros de um género podem receber amor, poder e estima apenas à custa dos outros. Rejeitamos especialmente a ideia de que Deus criou indivíduos como fragmentos incompletos, que só se sentem completos em união com outros. Pedimos às mulheres e aos homens que partilhem o poder e o controlo, que aprendam a dar livremente e a receber livremente, que sejam completos e que respeitem a plenitude dos outros. Procuramos obter oportunidades para todos os indivíduos, assim como a liberdade de amar e ser amados, de procurar e receber justiça e de praticar a autodeterminação ética. Compreendemos a nossa diversidade de género como um dom de Deus, destinado a contribuir para a rica variedade de experiências e perspectivas humanas; e protegemo-nos contra as atitudes e tradições que usariam este excelente dom para deixar que membros de um sexo sejam mais vulneráveis ​​em termos de relacionamentos do que os membros do outro sexo.

G)  Sexualidade Humana — Afirmamos que a sexualidade é um excelente dom de Deus concedido a todas as pessoas. Pedimos a todos que se dediquem a uma actuação responsável em relação a este dom sagrado.

Apesar de todas as pessoas serem seres sexuais, quer sejam casadas ou não, as relações sexuais são afirmadas apenas através da aliança do casamento monogâmico e heterossexual.

Deploramos todas as formas de comercialização, abuso e exploração do sexo. Solicitamos a aplicação estrita, em todo o mundo, de leis que proíbam a exploração sexual das crianças e uma protecção, orientação e aconselhamento adequados para as crianças abusadas. Todas as pessoas, independentemente da idade, sexo, estado civil ou orientação sexual, têm o direito de ter os seus direitos humanos e civis assegurados e protegidos contra a violência. A Igreja deve apoiar a família ao proporcionar uma educação adequada à idade em relação à sexualidade, para as crianças, os jovens e os adultos.

Afirmamos que todas as pessoas são indivíduos de valor sagrado, criados à imagem de Deus. Todas as pessoas precisam do ministério da Igreja nas suas lutas para a realização humana, bem como o cuidado espiritual e emocional de uma fraternidade que permita reconciliar as relações com Deus, com os outros e com elas mesmas. A Igreja Metodista Unida não tolera a prática da homossexualidade e considera esta prática incompatível com o ensino cristão. Afirmamos que a graça de Deus está à disposição de todos. Procuraremos viver juntos na comunidade cristã, acolhendo, perdoando e amando-nos uns aos outros, como Cristo nos amou e nos aceitou. Imploramos às famílias e às igrejas que não rejeitem nem condenem membros e amigos que sejam lésbicas e gays. Comprometemo-nos a estar no ministério para e com todas as pessoas.

H)  Violência e Abuso Familiares — Reconhecemos que a violência e o abuso familiares em todas as suas formas – verbal, psicológica, física e sexual – prejudicam a aliança da comunidade humana. Encorajamos a Igreja a proporcionar um ambiente seguro, aconselhamento e apoio à vítima e a trabalhar com o agressor para compreender as causas profundas e as formas de abuso e superar esses comportamentos. Independentemente da causa ou do abuso, tanto a vítima como o agressor precisam do amor da Igreja. Embora deploremos as acções do agressor, afirmamos que essa pessoa precisa do amor redentor de Deus.

I) Abuso Sexual — Expressões sexuais violentas, desrespeitadas ou abusivas não confirmam a sexualidade como o excelente dom que nos foi dado por Deus. Rejeitamos todas as expressões sexuais que prejudicam a humanidade que Deus nos deu como direito de nascimento e afirmamos apenas a expressão sexual que melhora essa mesma humanidade. Acreditamos que as relações sexuais em que um ou ambos os parceiros são exploradores, abusivos ou promíscuos ultrapassam os parâmetros do comportamento cristão aceitável e, em última instância, são destrutivas para os indivíduos, as famílias e a ordem social. Deploramos todas as formas de comercialização e exploração do sexo, com a consequente redução e degradação da personalidade humana. Perder a liberdade e ser vendido por outra pessoa para fins sexuais é uma forma de escravidão, e denunciamos essas actividades e apoiamos os abusados, assim como o seu direito à liberdade.

Solicitamos a aplicação estrita, em todo o mundo, de leis que proíbam a exploração ou o uso das crianças por parte dos adultos e incentivem os esforços para considerar os perpetradores responsáveis tanto a nível jurídico como financeiro. Solicitamos o estabelecimento de serviços adequados de protecção, orientação e oportunidades de aconselhamento para as crianças assim abusadas.

J)  Assédio Sexual — Acreditamos que a sexualidade humana é um excelente dom de Deus. Qualquer abuso deste excelente dom é assédio sexual. Definimos assédio sexual como qualquer comentário, insinuação ou exigência sexual indesejáveis, quer seja verbal ou físico, que seja razoavelmente percebido pelo destinatário como degradante, intimidante ou coercivo. O assédio sexual deve ser entendido como uma exploração de uma relação de poder em vez de um problema exclusivamente sexual. O assédio sexual inclui, mas não se limita à criação de um ambiente de trabalho hostil ou abusivo resultante de discriminação com base no género. Ao contrário da comunidade acolhedora, o assédio sexual cria condições impróprias, coercivas e abusivas onde quer que ocorra na sociedade. O assédio sexual prejudica o objectivo social da igualdade de oportunidades e do clima de respeito mútuo entre homens e mulheres. A atenção sexual indesejada é errada e discriminatória. O assédio sexual interfere com a missão moral da Igreja.

P)  Agressão Sexual — A agressão sexual é errada. Afirmamos o direito de todas as pessoas de viverem livres de tais agressões ou assaltos, encorajamos os esforços da aplicação da lei para processar tais crimes e condenar o estupro seja de que forma for. Não importa onde a pessoa está, como está vestida, se está ou não intoxicada, se é coquete, qual é o sexo da vítima ou qualquer outra circunstância.

Q)  Pornografia — As Escrituras ensinam que os seres humanos são criados à imagem de Deus e que somos responsáveis, ​​perante Deus, por um relacionamento correcto. As imagens sexuais podem celebrar os aspectos positivos da sexualidade humana através da representação positiva na arte, na literatura e na educação. Deploramos, no entanto, imagens que distorcem essa positividade e prejudicam relações sexuais saudáveis.

Opomo-nos a todas as formas de pornografia e consideramos que o seu uso é uma forma de conduta sexual condenável. A pornografia consiste em material sexualmente explícito que retrata a violência, o abuso, a coerção, a dominação, a humilhação ou a degradação para fins de excitação sexual. A pornografia explora sexualmente e objectiva tanto as mulheres como os homens. Qualquer material sexualmente explícito que descreva crianças é abominável e vitimiza crianças. A pornografia pode arruinar vidas, carreiras e relações.

Lamentamos a omnipresença da pornografia na Internet, inclusive entre os cristãos, e especialmente o seu impacto nos jovens e nos casamentos.

A Igreja é chamada à transformação e cura para todas as pessoas afectadas negativamente pela pornografia. As congregações devem enviar uma mensagem clara de oposição à pornografia e de compromisso para com ambientes seguros para todos. Incentivamos estratégias para erradicar a pornografia, apoiar as vítimas e proporcionar um diálogo e uma educação abertas e transparentes em torno da sexualidade e da ética sexual. Também acreditamos que as pessoas podem ser reabilitadas e devem ter a oportunidade de receber tratamento; por conseguinte, as igrejas devem procurar maneiras de oferecer apoio e cuidados para abordar questões de dependência. Além disso, todas as igrejas são encorajadas a rever e actualizar as políticas adequadas de protecção das crianças, dos jovens e dos adultos para reflectir a posição da Igreja Metodista Unida de que o uso de pornografia é uma forma de conduta sexual condenável. Ao encorajar a educação, a prevenção e os caminhos para a recuperação de todas as pessoas afectadas pela pornografia, vivemos a nossa compreensão wesleyana da graça e da cura.

R) Intimidação (bullying) — A intimidação (bullying) é um problema crescente em partes da conexão. É um factor que contribui para o suicídio e a violência que constatamos em algumas culturas nos dias de hoje. Afirmamos o direito de todas as pessoas, independentemente do sexo, situação socioeconómica, raça, religião, deficiência, idade, aparência física, orientação sexual e identidade de género, a estarem livres de comportamentos agressivos indesejáveis e de tácticas de controlo prejudiciais.

Como a Igreja, podemos desempenhar um papel fundamental para pôr fim a este problema. Exortamos as igrejas a procurar oportunidades para ser treinadas para responder às necessidades daqueles que foram intimidados, daqueles que praticam o bullying e apoiar as autoridades que podem ser testemunhas ou ser chamadas a intervir a favor daqueles que foram intimidados. As igrejas são incentivadas a contactar e a associar-se a associações comunitárias e a escolas nestas actividades de divulgação e alcance.

Encorajamos as igrejas a adoptar uma política de tolerância zero para o bullying, incluindo o cyberbullying, dentro das suas esferas de influência; apoiar as pessoas intimidadas; e assumir um papel de liderança ao trabalhar com as escolas e a comunidade para evitar o bullying.

 

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¶ 162  OS PRINCÍPIOS SOCIAIS

      F)  Direitos da Mulher — Afirmamos que as mulheres e os homens são iguais em todos os aspectos de sua vida comum. Solicitamos, portanto, que sejam envidados todos os esforços para eliminar os estereótipos sexuais do papel na actividade e na representação da vida familiar e em todos os aspectos da participação voluntária e compensatória na Igreja e na sociedade. Afirmamos o direito das mulheres à igualdade de tratamento no emprego, responsabilidade, promoção e compensação. Afirmamos a importância das mulheres nos cargos de tomada de decisão em todos os níveis da Igreja e da sociedade e instamos esses órgãos a garantir a sua presença através de políticas de emprego e recrutamento. Apoiamos a acção afirmativa como um método para abordar as desigualdades e práticas discriminatórias dentro da nossa Igreja e da sociedade. Instamos os empregadores de pessoas em famílias com casais de dupla carreira, tanto na Igreja como na sociedade, a aplicar uma consideração adequada de ambas as partes quando a deslocação for considerada. Afirmamos o direito das mulheres de viver livres de violência e abuso e exortamos os governos a promulgar políticas que protejam as mulheres contra todas as formas de violência e discriminação em qualquer sector da sociedade.

G) Direitos do Homem — Porque afirmamos que as mulheres e os homens são iguais em todos os aspectos da sua vida comum, também afirmamos os direitos dos homens. Afirmamos a igualdade de oportunidades no emprego, responsabilidade e promoção. Os homens não devem ser ignorados nem perder oportunidades ou influência por serem homens.

Reconhecemos que os homens também são vítimas de violência doméstica e abuso. Incentivamos as comunidades a oferecerem as mesmas políticas e protecção tais como as que são proporcionadas às mulheres em situações semelhantes. Afirmamos o direito dos homens de viver livres de violência e abuso e exortamos os governos a promulgar políticas que protejam os homens contra todas as formas de violência e discriminação em qualquer sector da sociedade.

Reconhecemos que o papel dos homens na educação das crianças é tão importante como o papel das mulheres e apelamos para a igualdade de direitos dos homens e das mulheres em oportunidades de licença parental. Quando os pais se divorciam, muitas vezes os homens têm menos contacto com seus filhos. Apelamos para o acesso igual à custódia dos filhos, mas enfatizamos que ter em conta o melhor interesse da criança é sempre o mais importante.

 

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A COMUNIDADE ECONÓMICA ¶ 163

E)  A Pobreza — Apesar da afluência geral nas nações industrializadas, a maioria das pessoas no mundo vive na pobreza. A fim de proporcionar as necessidades básicas, como alimentos, vestuário, abrigo, educação, cuidados de saúde e outras necessidades, devem ser encontradas soluções para compartilhar de forma mais equitativa os recursos do mundo. A tecnologia crescente, quando acompanhada de práticas económicas exploradoras, empobrece muitas pessoas e faz com que a pobreza se autoperpetue. A pobreza devido a catástrofes naturais e a mudanças ambientais está a aumentar e precisa de atenção e apoio. Os conflitos e a guerra empobrecem as populações por todos os lados, e uma maneira importante de apoiar os pobres será trabalhar em prol de soluções pacíficas.

Como igreja, somos chamados a apoiar os pobres e a desafiar os ricos. Para começar a aliviar a pobreza, apoiamos políticas como: manutenção de rendimento adequado, educação de qualidade, habitação decente, formação profissional, oportunidades de emprego significativas, cuidados médicos e hospitalares adequados, humanização e revisões radicais de programas de assistência social, trabalho em prol da paz em áreas de conflito e esforços para proteger a integridade da criação. Uma vez que os baixos salários são muitas vezes uma das causas da pobreza, os empregadores devem pagar aos seus empregados um salário que não exija que estes dependam dos subsídios do governo, como vales de desconto para a alimentação ou assistência social para a sua subsistência.

Visto que reconhecemos que a redução a longo prazo da pobreza deve ultrapassar os serviços e o emprego para os pobres, os quais podem ser retirados, enfatizamos as medidas que criam e mantêm a riqueza das pessoas pobres, incluindo estratégias de criação de bens, tais como o desenvolvimento individual, contas de poupança, programas de desenvolvimento de microempresas, programas que permitem a posse de casa de habitação e a formação e o aconselhamento de gestão financeira. Apelamos às igrejas para desenvolverem estes e outros ministérios que promovam a criação de bens entre os pobres. Estamos especialmente atentos ao Sul Global (Global South), onde o investimento e as microempresas são especialmente necessários. Exortamos a que sejam apoiadas políticas que incentivem o crescimento económico equitativo no Sul Global e em todo o mundo, proporcionando uma oportunidade justa para todos.

A pobreza na maioria das vezes tem causas sistémicas e, por conseguinte, não responsabilizamos moralmente as pessoas pobres pela sua situação económica.

 

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166. VII. O NOSSO CREDO SOCIAL

Acreditamos em Deus, Criador do mundo; e em Jesus Cristo, o Redentor da criação. Acreditamos no Espírito Santo, por meio do qual reconhecemos os dons de Deus, e nos arrependemos dos nossos pecados ao usar indevidamente estes dons para fins idólatras.
Afirmamos o mundo natural como obra de Deus e dedicamo-nos à sua preservação, melhoria e uso fiel pela humanidade.

Recebemos, com alegria, para nós e para os outros as bênçãos da comunidade, da sexualidade, do casamento e da família.

Comprometemo-nos a defender os direitos dos homens, mulheres, crianças, jovens, jovens adultos, idosos e pessoas com deficiência; a melhoria da qualidade de vida; e os direitos e a dignidade de todas as pessoas.

Acreditamos no direito e dever das pessoas a trabalhar para a glória de Deus e para o bem de si próprios e dos outros e na protecção de seu bem-estar ao fazê-lo; no direito à propriedade como uma forma da confiança de Deus, negociação colectiva e consumo responsável; e na eliminação dos problemas económicos e sociais.

Dedicamo-nos à paz em todo o mundo, ao domínio da justiça e do direito entre as nações e, à liberdade individual para todas as pessoas do mundo.

Acreditamos no triunfo presente e final da Palavra de Deus nos assuntos humanos e aceitamos com prazer o nosso encargo de manifestar a vida do evangelho no mundo. Ámen.

(Recomenda-se que esta declaração de Princípios Sociais esteja continuamente à disposição dos cristãos metodistas unidos e que seja enfatizada regularmente em todas as congregações. Recomenda-se ainda que “O Nosso Credo Social” seja frequentemente usado no culto dominical).

 

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1. A ordenação e os membros de uma conferência anual da Igreja Metodista Unida são mantidos em sagrada confiança. As qualificações e os deveres dos pastores locais, membros associados, membros provisórios e membros efectivos são estabelecidos no Livro da Disciplina da Igreja Metodista Unida, e acreditamos que fluem do evangelho tal como ensinado por Jesus Cristo e proclamado pelos seus apóstolos. Sempre que uma pessoa em qualquer uma das categorias acima, incluindo as pessoas que se encontram sob licenças de todos os tipos, posição honorável ou administrativa, ou aposentação, for acusada de violar esta confiança, os membros do seu gabinete ministerial estarão sujeitos a avaliação.

Esta avaliação terá como principal objectivo uma resolução justa de quaisquer violações desta confiança sagrada, na esperança de que a obra de justiça, reconciliação e cura de Deus possa ser realizada no corpo de Cristo.

Uma resolução justa é aquela que se concentra em reparar qualquer mal feito às pessoas e comunidades, alcançando uma verdadeira responsabilização, corrigindo esse mal, na medida do possível, e trazendo a cura para todas as partes. Em situações apropriadas, os processos que procuram obter uma resolução justa, conforme definido no ¶ 362.1c, podem ser seguidos. Deve dar-se especial atenção para garantir que os contextos culturais, raciais, étnicos e de género sejam valorizados ao longo do processo em termos dos seus entendimentos sobre imparcialidade, justiça e reparação.

Uma queixa é uma declaração escrita e assinada alegando má conduta conforme definido no ¶ 2702.1. Quando uma queixa é recebida pelo bispo, tanto a pessoa que apresenta a queixa como a pessoa contra quem a queixa é feita serão informadas por escrito sobre o processo a ser seguido nessa etapa. Quando e se a etapa mudar, essas pessoas continuarão a ser informadas por escrito sobre o novo processo de forma oportuna. Todas as limitações de tempo originais podem ser prorrogadas por um período de 30 dias mediante o consentimento do reclamante e do reclamado.

 

a) Supervisão — No decorrer do cumprimento ordinário da função de superintendente, o bispo ou superintendente do distrito pode receber ou iniciar queixas sobre o desempenho ou o carácter de um membro do clero. Uma queixa é uma declaração por escrito e assinada alegando má conduta ou desempenho insatisfatório dos deveres ministeriais.78 A pessoa que apresentar a queixa e o membro do clero devem ser informados pelo superintendente do distrito ou pelo bispo sobre o processo de apresentação da queixa e a sua finalidade. 

b) Resposta de Supervisão — A resposta de supervisão do bispo deverá começar após a recepção do recebimento de uma queixa formal. A resposta é pastoral e administrativa e deve ter como objectivo uma resolução justa entre todas as partes. Não faz parte de nenhum processo judicial. A queixa deve ser tratada como uma alegação ou alegações durante o processo de supervisão. Em todas as reuniões de supervisão, nenhuma transcrição integral deverá ser feita e nenhum conselheiro jurídico deverá estar presente. A pessoa contra quem a queixa foi feita pode escolher outra pessoa para acompanhá-la com o direito a ter a palavra; a pessoa que faz a queixa terá o direito de escolher uma pessoa para acompanhá-la a qual terá direito a ter a palavra.

A resposta de supervisão deve ser realizada pelo bispo ou por uma pessoa designada pelo bispo de forma oportuna e tendo em conta a comunicação a todas as partes sobre a queixa e o processo. Na determinação do bispo, pessoas com qualificações e experiência em avaliação, intervenção ou cura podem ser seleccionadas para apoiar a resposta de supervisão. O bispo também pode consultar o comité sobre as relações entre pastores e paróquias para os pastores, o comité distrital sobre superintendência para os superintendentes do distrito, o comité do pessoal apropriado ou outras pessoas que possam ser úteis. 

Quando a resposta de supervisão é iniciada, o bispo deve notificar o presidente da Junta do Ministério Ordenado de que foi apresentada uma queixa, do membro do clero nomeado, da natureza geral da queixa e, quando concluída, da resolução sobre a queixa.

 

c) Resolução Justa — A resposta de supervisão pode incluir um processo que procure uma resolução justa na qual as partes sejam assistidas por um ou mais facilitadores ou mediadores independentes e formados, para chegar a um acordo satisfatório para todas as partes.79

  1. Ver as Decisões do Conselho Judicial (Judicial Council Decisions) 763, 777.
  2. Ver Decisões do Conselho Judicial (Judicial Council Decisions) 691, 700, 751, 763, 768.

Se o bispo decidir iniciar uma tentativa mediada para produzir uma resolução justa, então o bispo, a pessoa que apresentou a queixa, o respondente e outras pessoas apropriadas deverão celebrar um acordo escrito delineando o processo, incluindo quaisquer acordos de confidencialidade. Um processo que procura obter uma resolução justa pode começar a qualquer momento no processo de supervisão, queixa ou julgamento. Se a resolução for alcançada, uma declaração por escrito da resolução, incluindo quaisquer termos e condições, deve ser assinada pelas partes e as partes devem concordar sobre quaisquer assuntos a ser divulgados a terceiros. Uma resolução justa acordada por todas as partes será uma disposição final sobre a queixa relacionada.

Um processo que procure uma resolução justa pode começar a qualquer momento do processo de supervisão ou queixa. Não se trata de um processo administrativo ou judicial.

d)  Suspensão — Quando considerado oportuno, para proteger o bem-estar da pessoa que faz a queixa, a congregação, a conferência anual, outro contexto para o ministério e/ou o clero, o bispo, com a recomendação da comissão executiva da Junta do Ministério Ordenado, pode suspender a pessoa de todas as responsabilidades como membro do clero, mas não de uma nomeação, durante um período não superior a noventa dias. Com o acordo do comité executivo da Junta do Ministério Ordenado, o bispo pode prorrogar a suspensão por um único período adicional que não exceda trinta dias. Durante a suspensão, o salário, o alojamento e os benefícios providenciados em relação a um cargo pastoral continuarão a um nível não inferior ao existente na data da suspensão. A pessoa assim suspensa deverá manter todos os direitos e privilégios conforme estabelecido no ¶ 334. O custo de providenciar um pastor durante a suspensão ficará a cargo da conferência anual.

e)  Encaminhamento ou Indeferimento de uma Queixa — Ao receber uma queixa por escrito e assinada, o Bispo deve, no prazo de 90 dias, executar o processo de resposta de supervisão acima descrito. Se, dentro de 90 dias após a recepção da queixa, a resolução não tiver sido alcançada, o bispo deve:

1) Rejeitar a queixa com o consentimento do gabinete, apresentando as razões por escrito, uma cópia das quais será colocada no ficheiro de dados do membro do clero em questão; ou

2) Encaminhar o assunto para o advogado da igreja como uma queixa.

f)  Acompanhamento de Supervisão e Cura — O bispo e o gabinete providenciarão um processo para a cura dentro da congregação, conferência anual ou outro contexto de ministério, se tiver havido interrupção significativa devido à queixa. Este processo pode incluir partilhar informações pelo bispo ou pessoa designada pelo bispo sobre a natureza da queixa sem divulgar os factos alegados, o que pode comprometer qualquer possível processo administrativo ou judicial. Quando os factos são divulgados, deve dar-se a devida atenção aos interesses e necessidades de todos os envolvidos, incluindo o requerido e o requerente, que possam estar envolvidos num processo administrativo ou judicial. Esse processo de cura pode incluir um processo de resolução justa, que trata de conflitos não resolvidos, apoio às vítimas e reconciliação das partes envolvidas. Isto pode acontecer em qualquer momento durante o processo de supervisão, queixa ou julgamento.

g)  Uma queixa pode ser suspensa com a aprovação da Junta do Ministério Ordenado, se houver envolvimento de autoridades civis ou se o seu envolvimento estiver iminente em questões cobertas pela queixa. O estado das queixas mantidas em suspenso deve ser examinado, pelo menos a cada 90 dias pelo bispo e pela comissão executiva da Junta do Ministério Ordenado para assegurar que o envolvimento das autoridades civis ainda seja um impedimento válido para se proceder à resolução de uma queixa. A suspensão de uma queixa pode ser rescindida pelo bispo ou pela Junta do Ministério Ordenado. O tempo durante o qual uma queixa é suspensa não conta para o estatuto de limitações. Um membro do clero deve continuar a manter seu estatuto actual enquanto uma queixa é mantida em suspenso.

413. Queixas contra Bispos

1. A liderança episcopal na Igreja Metodista Unida partilha, com todas as outras pessoas ordenadas, a confiança sagrada da sua ordenação. O ministério dos bispos, conforme estabelecido no Livro da Disciplina da Igreja Metodista Unida, também flui do evangelho como ensinado por Jesus, o Cristo, e proclamado pelos seus apóstolos (¶ 402). Sempre que um bispo violar esta confiança ou for incapaz de cumprir as responsabilidades adequadas, a continuação no cargo episcopal estará sujeita a avaliação. Esta avaliação terá como objectivo principal uma resolução justa de quaisquer violações desta confiança sagrada, na esperança de que a obra de justiça, reconciliação e cura de Deus possa realizar-se.

2. Qualquer queixa, competência ou uma ou mais das ofensas indicadas no ¶ 2702 será apresentada ao presidente do Colégio dos Bispos naquela conferência jurisdicional ou central. Se a queixa se refere ao presidente, esta será apresentada ao secretário do Colégio dos Bispos. Uma queixa é uma declaração por escrito, alegando má conduta, desempenho insatisfatório dos deveres ministeriais ou uma ou mais das ofensas indicadas no ¶ 2702.

3. Após ter recebido uma queixa, tal como estabelecido no ¶ 413.2, o presidente e o secretário do Colégio dos Bispos ou o secretário e outro membro do colégio, se a queixa for acerca do presidente (ou ao presidente e outro membro do colégio, se a queixa se referir ao secretário), deverão,  dentro de dez dias, consultar o presidente do comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central, que nomeará do comité um membro professante e um membro do clero que não pertencem à mesma área episcopal; que não são da área episcopal para a qual o bispo sob a queixa foi eleito ou para o qual foi nomeado; e que não são do mesmo sexo.

a) Quando considerado apropriado para proteger o bem-estar do queixoso, a Igreja e/ou o bispo, o Colégio dos Bispos, em consulta com o comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central, poderá suspender o bispo de todas as responsabilidades episcopais durante um período não superior a sessenta dias. Durante a suspensão, o salário, o alojamento e os benefícios continuarão.

b) A resposta de supervisão é pastoral e administrativa e deve ser orientada para uma resolução justa. Não faz parte de nenhum processo judicial. A resposta de supervisão deve realizar-se de forma confidencial e deve ser concluída no prazo de 120 dias. Pode haver uma prorrogação de 120 dias se o bispo supervisor e os dois membros do comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central nomeados para o processo de supervisão determinarem que uma prorrogação será produtiva. Pode haver uma segunda prorrogação de 120 dias mediante o consentimento mútuo por escrito do bispo supervisor, membros do comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central nomeados para o processo de supervisão, o queixoso e o bispo sob a queixa.

O bispo supervisor informará regularmente todas as partes sobre a situação do processo e notificará todas as partes dentro de sete dias após a determinação de que a resposta de supervisão não resultará numa solução do assunto.

Nenhuma transcrição integral deverá ser feita e nenhum conselheiro jurídico deverá estar presente, apesar do bispo contra quem a queixa foi feita e o queixoso ambos poderem escolher outra pessoa para acompanhá-lo(a), com o direito de voz. Segundo determinação do presidente (secretário), pessoas com qualificações e experiência em avaliação, intervenção ou cura podem ser seleccionadas para prestar apoio em relação às respostas de supervisão. Também podem ser consultadas outras pessoas.

c) A resposta de supervisão pode incluir um processo que procure obter uma resolução justa na qual as partes sejam apoiadas por um ou mais facilitadores ou mediadores formados, imparciais e independentes para alcançar um acordo satisfatório para todas as partes. (Ver ¶ 362.1b, c.) As pessoas apropriadas, incluindo o presidente do Colégio dos Bispos, ou o secretário, se a queixa se refere ao presidente, devem celebrar um acordo escrito delineando tal processo, incluindo um acordo de confidencialidade. Se a resolução for alcançada, uma declaração escrita sobre a resolução, incluindo os termos e condições, deve ser assinada pelas partes e as partes devem concordar sobre quaisquer assuntos a divulgar a terceiros. Essa declaração de resolução por escrito deverá ser entregue à pessoa encarregada dessa etapa do processo para outras acções compatíveis com o acordo.

d)

(i) Se a resposta de supervisão resultar na resolução do assunto, o bispo encarregado da resposta de supervisão e os dois membros da comissão do episcopado nomeados para o processo de supervisão (¶ 413.3) devem acompanhar o cumprimento dos termos da resolução. Se a resposta de supervisão não resultar na resolução da questão, o presidente ou secretário do Colégio dos Bispos pode rejeitar a queixa com o consentimento do Colégio dos Bispos e do comité do episcopado, apresentando as razões por escrito, uma cópia das quais será colocada no arquivo do bispo, encaminhar o assunto para o comité do episcopado como uma queixa administrativa de acordo com o ¶ 413.3e ou encaminhar o assunto para o conselheiro jurídico da Igreja conforme o ¶ 2704.1 para preparar uma queixa para enviar para o comité da investigação.

(ii) Se dentro de 180 dias após a recepção da queixa o presidente ou secretário do Colégio de Bispos (tal como especificado no ¶ 413.2), a resposta de supervisão não resultar na resolução do assunto e o presidente ou secretário do Colégio de Bispos não tiver encaminhado o assunto como uma queixa administrativa ou judicial, então o assunto passará para:

1) No caso de um bispo de uma das conferências centrais, um painel de três bispos, um de cada continente, tal como seleccionado pelo Concílio de Bispos, ou

2) No caso de um bispo de uma das conferências jurisdicionais, um painel de cinco bispos, um de cada conferência jurisdicional, tal como seleccionado pelo Concílio de Bispos, que depois continuarão o processo de resposta de supervisão e, dentro de 180 dias, rejeitarão ou encaminharão a acusação, tal como exigido acima.

(iii) Todos os custos relacionados com as acções tomadas, conforme o parágrafo (ii), acima, serão pagos pelo Fundo Episcopal.

(iv) O Concílio de Bispos pode, em qualquer momento durante o processo, após uma acusação ter sido apresentada, incluindo após uma resolução justa, transferir a queixa do Colégio de Bispos para o Concílio de Bispos com dois terços do voto pelo Concílio.

e) Queixa Administrativa — Se a queixa se basear em alegações de incompetência, ineficácia, relutância ou incapacidade para cumprir os deveres episcopais, o presidente e o secretário do Colégio dos Bispos (ou os dois membros do colégio que estão a tratar da queixa) deverão encaminhar a queixa para o comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central. O comité pode recomendar reforma involuntária (¶ 408.3), licença por incapacidade (¶ 410.4), medidas correctivas, outras acções apropriadas ou pode rejeitar a queixa. Quando o comité do episcopado da conferência jurisdicional ou da conferência central considerar que o assunto é suficientemente sério e quando uma ou mais das ofensas indicadas no ¶ 2702 estiverem envolvidas, o comité poderá encaminhar a queixa para o presidente e o secretário do Colégio dos Bispos (ou para os dois membros do colégio que estão a tratar da queixa) para ser encaminhada como uma queixa judicial para o comité de investigação da conferência jurisdicional ou da conferência central. As disposições do ¶ 361.2 para o processo justo em audiências administrativas aplicar-se-ão a este processo administrativo

4. Quaisquer acções do comité de uma conferência jurisdicional ou conferência central tomadas sobre uma queixa deverão ser comunicadas na sessão seguinte da conferência jurisdicional ou da conferência central.

5. Cada jurisdição desenvolverá um protocolo para atender aos membros leigos, do clero e do pessoal que possam ser afectados pelo processamento da queixa.

6. Imunidade de Acusação — A fim de preservar a integridade do processo de queixa da Igreja e assegurar a sua plena participação em todos os momentos, o Colégio dos Bispos, a equipa de resposta de supervisão, o comité jurisdicional do episcopado, as testemunhas, os defensores e todos os outros que participam no processo de queixa em relação a um bispo, terão imunidade para processar as queixas contra eles, relacionadas com o seu papel num processo específico de queixa, a menos que tenham cometido um delito imputável de má fé consciente e deliberada. O queixoso/demandante em qualquer processo contra qualquer pessoa relacionada com o seu papel num processo de acusação específico terá o ónus de comprovar, por meio de comprovações claras e convincentes, que as acções dessa pessoa constituíram uma ofensa imputável cometida conscientemente de má-fé. A imunidade estabelecida nesta disposição abarcará processos judiciais civis, no alcance máximo permitido pelas leis civis.

Livro de Resoluções

Infracções Imputáveis ​​e o Estatuto das Limitações

2702.  1.  Um bispo, membro do clero de uma conferência anual (¶ 370), pastor local,9 clérigos em posição honorável ou administrativa ou ministro diaconal podem ser julgados quando acusados (sujeitos ao estatuto de limitações no ¶ 2702.4)10 de uma ou mais das seguintes infracções: (a) imoralidade, incluindo, mas não se limitando a, não ser celibatário enquanto for solteiro/a ou não ser fiel durante um casamento heterossexual;11  (b) práticas declaradas pela Igreja Metodista Unida como incompatíveis com os ensinamentos cristãos,12 incluindo, mas não se limitando a: ser homossexual praticante autodeclarado/a; ou realizar cerimónias que celebram as uniões homossexuais; ou realizar cerimónias que celebram casamentos de pessoas do mesmo sexo;13 (c) crime; (d) desobediência à ordem e disciplina da Igreja Metodista Unida; (e) disseminação de doutrinas contrárias aos padrões estabelecidos da doutrina da Igreja Metodista Unida; (f) relacionamentos e/ou comportamentos que prejudicam o ministério de outro pastor;14 (g) abuso de crianças;15 (h) abuso sexual;16 i) conduta sexual condenável15 incluindo uso ou posse de pornografia; (j) assédio, incluindo, mas não se limitando ao assédio racial e/ou sexual; (k) discriminação racial ou de género; ou (l) ilegalidade fiscal.

2. Um bispo, um membro do clero de uma conferência anual ou um ministro diaconal pode ser levado a tribunal quando o organismo apropriado recomenda a rescisão involuntária.17

9. Ver a Decisão do Conselho Judicial 982.

10. O estatuto de limitações entrou em vigor como lei a título prospectivo a

partir de 1 de Janeiro de 1993. Todas as infracções alegadas ocorridas antes desta data são

prescritas. Ver as Decisões 691, 704 e 723 do Conselho Judicial.

11. A linguagem que começa com “incluindo, mas não se limitando a…” apareceu

primeiro no Livro da Disciplina de 2004, com entrada em vigor a 1 de Janeiro de 2005.

12. Ver as Decisões 702, 984, 985 e 1185 do Conselho Judicial.

13. A linguagem que começa com “incluindo, mas não se limitando a …” apareceu

primeiro no Livro da Disciplina de 2004, com entrada em vigor a 1 de Janeiro de 2005.

14. Ver a Decisão 702 do Conselho Judicial.

15. Esta infracção foi incluída pela primeira vez como uma infracção separada no Livro da Disciplina de 1996, com entrada em vigor a 27 de Abril de 1996. Ver a Decisão 691 do Conselho Judicial.

16. Ver as Decisões 736 e 768 do Conselho Judicial.

17. Ver a Decisão 767 do Conselho Judicial.

INVESTIGAÇÕES, JULGAMENTOS E RECURSOS ¶ 2702

3. Um membro professante de uma igreja local pode ser acusado das infracções que se seguem, e, em caso afirmativo, pode optar por um julgamento: (a) imoralidade; (b) crime; (c) desobediência à ordem e à disciplina da Igreja Metodista Unida; (d) disseminação de doutrinas contrárias aos padrões de doutrina estabelecidos pela Igreja Metodista Unida; (e) abuso sexual; (f)  conduta sexual condenável;18 (g) abuso de crianças; (h) assédio, incluindo, mas não se limitando ao assédio racial e/ou sexual; (i) discriminação racial ou de género; (j) relacionamentos e/ou comportamentos que prejudicam o ministério de pessoas que servem de acordo com uma nomeação para esse fim; ou (k) ilegalidade fiscal.

4.  Estatuto de Limitações — Não será considerada qualquer queixa ou acusação judicial por qualquer ocorrência alegada que não tenha sido cometida no prazo de seis anos imediatamente anterior à apresentação da queixa original, excepto no caso de abuso sexual ou abuso de crianças e em caso de imoralidade ou crime, quando a(s) ocorrência(s) alegada(s) inclua(m) alegações de abuso sexual ou abuso de crianças, não haverá limitação (¶ 2704.1a).15

O tempo passado em licença não deve ser considerado como fazendo parte dos seis anos.

5. Altura da Infracção — Uma pessoa não deve ser acusada de uma infracção que não era uma infracção imputável no momento em que alegadamente tenha sido cometida. Qualquer acusação arquivada deve ser redigida conforme a linguagem do Livro da Disciplina em vigor no momento em que a infracção tenha alegadamente ocorrido, excepto no caso de imoralidade ou de crime, quando a(s) ocorrência(s) alegada(s) inclua(m) alegações de abuso sexual ou de abuso de crianças. Nesse caso, deve ser redigida conforme a linguagem do Livro da Disciplina em vigor no momento em que a infracção foi apresentada. Qualquer acusação deve referir-se a uma acção considerada como uma infracção imputável na Disciplina.

18. Esta infracção foi incluída pela primeira vez como uma infracção separada

no Livro da Disciplina de 2000 com entrada em vigor a 1 de Janeiro de 2001.

Ver a Decisão 691 do Conselho Judicial.

 

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